Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A agrônoma Marion Kompier investe em alimentos saudáveis com menos fertilizantes químicos — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 02:53 Produtores em Goiás Reduzem Uso de Químicos e Fomentam Agricultura Sustentável Marion Kompier, agrônoma de 55 anos, integra um grupo de 730 produtores que promovem práticas agrícolas sustentáveis, reduzindo significativamente o uso de produtos químicos. Em Goiás, suas fazendas diminuíram em 70% o uso de fungicidas, 50% de inseticidas e 20% de herbicidas, resultando em alimentos mais saudáveis. A transição para esse modelo começou em 2015 e já trouxe redução de custos e maior resiliência do solo. A iniciativa reflete a busca por independência de fertilizantes importados e por inovações na agricultura brasileira. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No perfil da empresa familiar na rede social, uma frase resume o que virou a missão da produtora rural Marion Kompier, de 55 anos: produzir alimentos saudáveis. Isso quer dizer que os grãos que saem das seis fazendas no estado de Goiás são feitos com metade do adubo químico que se usava anos antes: são 70% a menos de fungicidas, 50% de inseticidas e 20% de herbicidas. —Sou agrônoma, e não aprendi na faculdade que a gente tinha que olhar a biologia do solo, que é o que dá sustentação e equilíbrio para nossa cultura. Nossos grãos são nosso propósito, nossa missão. Se a gente consegue entregar grãos com menos produtos químicos, eu tenho certeza de que é um grão mais saudável. Para Marion, aderir a esse modelo também foi uma decisão estratégica, diante da dependência brasileira de defensivos e fertilizantes importados. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio levaram à escalada de preço desses produtos. Ela diz que seu grupo ficou menos exposto porque reduziu o uso de adubo químico à metade. A transição do Grupo Kompier não foi imediata. Em 2015, Marion percebeu que usava cada vez mais químicos, mas a produção estava estável, não crescia na mesma escala dos custos. A chave viraria três anos depois, quando participou do Fórum Nacional de Agricultura Sustentável. Encontrou mais produtores, tomou contato com novas pesquisas. Entendeu que alguns princípios ela já adotava, como o plantio direto, sem remover o solo. Mas era preciso avançar em outras práticas, como a redução dos químicos. Redução de custos Os resultados apareceram rápido. Já na safra 2021/2022, o Grupo Kompier teve uma redução de custos de 60 para 45 sacas por hectare. Ela se uniu a outros produtores da região de Rio Verde, a capital do agro, e hoje integra a diretoria colegiada do Gaas (Grupo Associado de Agricultura Sustentável). São 730 produtores espalhados por todo o país, um terço deles no Centro-Oeste, que reduziram o uso de fertilizantes e pesticidas entre 60% e 80%. Os custos caíram 30%. —A gente está à frente de muitos outros países. Estamos sempre inovando e pensando como fazer melhor. As margens de lucro estão menores, e quando a gente usa a agricultura regenerativa, aumenta não só a rentabilidade, mas também a resiliência do solo para a diversidade climática. Os bons produtores vão seguir o caminho de uma agricultura mais equilibrada —salienta Marion. Ela reconhece que ainda é difícil convencer os pares a sair do que chama de zona de conforto. E lembra que as faculdades ainda formam profissionais para o uso de química, as revendas têm agrônomos que convencem o produtor a comprar os defensivos químicos e muitas cooperativas acabam atuando como revendas desses insumos: —A gente pede para os grupos de pesquisa desenvolverem trabalhos que mostrem como a gente vai produzir milho com menos ureia. Existem alternativas, e a gente precisa avançar nesse caminho. Precisamos procurar formas de não depender tanto do adubo importado. De uns tempos para cá, as fazendas do Grupo Kompier recebem visitas de todo tipo de estudante, dos pequenos da Educação Infantil aos alunos de mestrado e doutorado: —Fico feliz de mostrar para esses jovens que a gente pode fazer uma agricultura melhor, que o Brasil já faz uma agricultura melhor.