Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O arquiteto baiano João Gabriel está na lista dos arquitetos mais influentes do país — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 19:31 João Gabriel revoluciona arquitetura com brasilidade e inclusão João Gabriel, arquiteto baiano de 29 anos, destaca-se pela inclusão de brasilidades e cores em seus projetos, tornando-se um dos 50 arquitetos mais influentes do Brasil, segundo a Casa Vogue. Com seu escritório JG + Arquitetos, prioriza a democratização da arquitetura, atendendo clientes em várias cidades e formando novos profissionais negros. Criador do Sala Preta, oferece cursos gratuitos para arquitetos negros, promovendo inclusão e equidade na profissão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O arquiteto, urbanista e comunicador baiano João Gabriel conquistou em quatro anos um espaço na arquitetura brasileira, que lhe garante convites para exposições e palestras. Aos 29 anos, não construiu pouca coisa. Ele foi listado pela revista Casa Vogue como um dos 50 arquitetos mais influentes do país (2025 e 2026), integrou a CasaCor Bahia em 2024 e 2025 e está na lista da Forbes Under 30, publicada pela revista Forbes como reconhecimento a jovens de destaque. João Gabriel está à frente de seu escritório, em Vitória da Conquista (BA), o JG + Arquitetos, sugerindo aos clientes sempre colocar cor e brasilidade nos espaços, a marca de seu trabalho. Para isso, utiliza materiais como o cobogó e o chão de caquinhos, por exemplo. As ideias dão certo e algumas, quando exibidas na internet, viralizam. Foi assim que ele ganhou visibilidade, transformando as redes sociais em sua maior vitrine. Também se destacou quando passou a postar maquetes em 3D, com imagens realistas dos projetos. A pandemia acabou ajudando. — As pessoas passaram a olhar mais para dentro de suas casas e comecei a trabalhar com projetos on-line. Depois, chamava um profissional presencial para fazer o acompanhamento da obra — lembra. Escritório 80% negro Ele conta que seu papel é democratizar a arquitetura. Por isso, tenta conciliar o trabalho para clientes que conseguem bancar os projetos e outros que têm menos recursos. O rapaz de Jequié, no interior da Bahia, mal sabia se a faculdade cabia a um garoto de origem tão humilde, filho de feirantes. Hoje, assume sua posição no mercado e não quer deixar ninguém pelo caminho. Apesar de atender no Brasil todo, João Gabriel diz que 80% dos seus clientes ficam em São Paulo, Rio, BH e Salvador. Em seu escritório, trabalha com uma equipe de 11 pessoas, composta em 80% por mulheres e homens negros. — Eu me tornei muito além do que poderia. Meus pais achavam que arquitetura era coisa de rico, e a minha referência de salário era a deles: R$ 2 mil. A perspectiva de futuro para mim não era muito boa — afirma João Gabriel, homem negro, homossexual e ativista. Um de seus principais projetos é o Sala Preta, iniciativa que tomou forma em 2024, oferecendo, de graça, cursos on-line para arquitetos e arquitetas negros. Hoje, a turma tem 80 alunos. Gente jovem, que, na visão dele, fica à margem das melhores oportunidades. — Vejo esperança no Sala Preta. Quando abro o e-mail, recebo mais de 180 pedidos para participar. Leio a história de cada um. A arquitetura é feita para as pessoas, tem que ser afetiva — revela João Gabriel. Em novembro, ele organizará um dia de aula presencial do Sala Preta, em São Paulo. Convidou arquitetos, engenheiros e comunicadores para falar de suas experiências. Este ano, falou em um grande evento de hotelaria sobre o que mais gosta: uma arquitetura afetiva, que une brasilidade, muita cor e inclusão. — Meu sonho é que haja mais equidade (na profissão). Estamos caminhando, começando a entender isso.