Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pedro Andrade apresentou, em julho, seu segundo desfile na Semana de Moda Masculina de Paris — Foto: Fernando Mendes RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 00:42 Pedro Andrade revoluciona moda com brasilidade e inovação sustentável Pedro Andrade, designer paulista de Araçatuba, destaca-se na moda nacional ao integrar brasilidade, sustentabilidade e tecnologia em suas criações. Em seu trabalho, valoriza a economia circular e a inclusão, tendo apresentado suas coleções na São Paulo Fashion Week e na Semana de Moda Masculina de Paris. Andrade aposta em inovação, rastreabilidade e na valorização de cadeias produtivas regionais, defendendo um futuro mais saudável para a indústria da moda. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Qual será o destino da moda? A segunda indústria mais poluente do mundo (perde apenas para a de petróleo) está sendo impactada por uma revolução que não terá fim tão cedo. Entram nesse campo conceitos como sustentabilidade, economia circular, novo luxo, identidade e inclusão. Foi exatamente nessa efervescência que o paulista de Araçatuba Pedro Andrade ingressou no mercado, em 2012. Catorze anos depois, ele encarna o espírito inquieto e questionador da nova geração da moda brasileira. — Caminhamos para um futuro mais transparente, que regenera e muda comportamentos, valorizando processos e cadeia produtiva. Mas nunca na História houve um movimento tão grande de consumo desenfreado — diz o estilista, hoje com 35 anos. —É um momento delicado, mas tenho esperança em um futuro mais saudável para a indústria da moda. As primeiras peças da Piet, marca de street wear criada pelo estilista formado em Desenho Industrial, foram camisetas. Em 2020, na pandemia, a etiqueta deu um salto significativo nas vendas, mas Pedro quis mais: passou a investigar a brasilidade e a incluí-la nos produtos, que, a essa altura, já tinham legião de fãs. Prova disso foi o desfile, em abril de 2025, na São Paulo Fashion Week, no estádio do Pacaembu, com coleção inspirada na paixão nacional, o futebol. Na plateia? Seis mil convidados. Nesse mesmo ano, Pedro se tornou o primeiro estilista brasileiro a integrar o line-up da Semana de Moda Masculina de Paris, com a etiqueta autoral P. Andrade, que comanda ao lado de Paula Kim. Na passarela, mostrou, além de roupas, pistas do que será o guarda-roupa ideal dos dias que virão. Ao integrar tecnologia e sustentabilidade em técnicas de tingimento, substituiu a química da tinta por cores geradas por bactérias. Na mesma ocasião, apresentou projeto de roupas que contam com tecnologia que permite rastrear 100% do DNA da peça. Por meio dela, era possível rastrear toda a cadeia produtiva e saber, por exemplo, quem produziu, de onde veio a matéria-prima e informações como o consumo de água ou a origem dos fios utilizados: — A sustentabilidade, para mim, passa por quatro pilares: pessoas, planeta, prosperidade e propósito. Trabalhamos com uma lógica de economia regenerativa, valorizando cadeias produtivas regionais que são negligenciadas, fortalecendo a mão de obra local e cuidando das pessoas que fazem parte do nosso ecossistema. Ao mesmo tempo, investimos há alguns anos em rastreabilidade e inovação. Em julho, Pedro apresentou seu segundo desfile na Semana de Moda Masculina de Paris. Desta vez, a coleção passeou por temas como os tradicionais bate-bolas e utilizou algodão agroecológico do Nordeste. —As novas gerações valorizam significado. Elas querem entender de onde vem um produto, quem o fez, e que história ele carrega —explica. É otimista com o futuro? —Sou, mas acredito que o futuro depende das escolhas que fazemos hoje. O Brasil reúne conhecimento, biodiversidade, criatividade e uma riqueza cultural que pode inspirar muitos dos caminhos da moda global.