Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Isabela Chusid integra lista da Bloomberg Línea dos 100 visionários que lideram a inovação na América Latina — Foto: Fernanda Corsini RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 16:27 Isabela Chusid transforma necessidade em negócio sustentável global com a Linus Isabela Chusid, fundadora da Linus, transformou uma necessidade pessoal em inovação sustentável. Com R$ 53 mil, desenvolveu uma sandália vegana de PVC reciclável, ganhando espaço na Europa e crescendo 700% na pandemia. Reconhecida pela Bloomberg e Forbes, a Linus, certificada como Empresa B, busca tornar a sustentabilidade um padrão, não um diferencial, refletindo o futuro do consumo consciente. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Foram seis meses intensos até dezembro de 2018, lembra Isabela Chusid, hoje aos 31 anos. Fundadora e CEO da Linus, marca de lifestyle sustentável, ela precisou inovar a partir de uma necessidade pessoal: diagnosticada com frouxidão ligamentar, recebeu a recomendação médica de usar um calçado com sustentação para os pés e que não fosse chinelo. — Não achei nada como eu queria. Algo que fosse prático de usar no dia a dia, com preço acessível e que tivesse um viés sustentável e design que combinasse comigo. Sempre faltava algo, geralmente a sustentabilidade, que sempre busco. Com investimento inicial de R$ 53 mil e ajuda de engenheiros de material, ortopedistas, especialistas em palmilha e designers, chegou ao resultado esperado e começou a fabricar uma sandália vegana feita em PVC, desenvolvida sem metais pesados e 100% reciclável. Por seu invento, Isabela passou a integrar a lista da Bloomberg Línea dos 100 visionários que lideram a inovação na América Latina, com empreendedores que impulsionam a tecnologia verde e novos modelos de negócio. Formada em Administração de Empresas, a fundadora da Linus conta que enfrentou o desafio ampliado pelo fato de nunca ter trabalhado com moda, ou na indústria de calçados: — Entender como funciona a cadeia produtiva desse setor foi um aprendizado gigante. O maior obstáculo foi achar fornecedor disposto a desenvolver a matéria-prima em quantidade tão pequena. Comecei com três cores, 300 pares por cor. Ninguém queria arriscar com uma marca nova e um pedido tão pequeno assim. Crescimento na pandemia Com 45 colaboradores, a Linus terceiriza sua fabricação, 100% feita no Brasil. Toda a cadeia produtiva tem certificação da Associação Brasileira do Varejo Têxtil. Os produtos são distribuídos em mais de 550 pontos de venda no país e lojas próprias no Rio e em São Paulo. No exterior, chegam a mais de dez países. A sandália ainda é o carro-chefe e representa quase 90% das vendas, mas meias, bonés e a Bolsa Linus vêm ganhando espaço, detalha Isabela: — Na pandemia, crescemos 700%. Entre 2022 e 2023, o faturamento cresceu 88%. Em 2025, crescemos 30%, ano em que o setor de calçados e vestuário cresceu só 2%, segundo o IBGE. O desempenho na pandemia também rendeu a Isabela o reconhecimento da revista Forbes como um dos jovens talentos mais inovadores do Brasil abaixo dos 30 anos. A expansão para a Europa aconteceu em 2022. Com certificação de Empresa B, que atesta comprometimento com altos padrões de desempenho social e ambiental, responsabilidade e transparência, as emissões da Linus são compensadas em dobro via créditos de carbono e com investimento em projetos de energia eólica e reflorestamento. Um dos principais fornecedores trabalha com energia solar desde 2024, o que contribui para reduzir a pegada na origem. A sustentabilidade está no foco de um sonho que Isabela vê como possível de atingir: — Um mundo onde a sustentabilidade deixe de ser diferencial e vire o mínimo esperado de qualquer empresa. Vejo, cada vez mais, consumidores atentos à questão ambiental. Isso é real, mas as empresas ainda demoram muito para se adaptar. Falta política pública que empurre esse movimento mais rápido. Muita coisa depende de iniciativa isolada de empresa, e deveria ser regra, não exceção.