Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Luísa Santiago, líder da Fundação Ellen MacArthur no Brasil — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 02:24 Luísa Santiago defende economia circular para impulsionar sustentabilidade no Brasil Luísa Santiago, diretora-executiva da Fundação Ellen MacArthur na América Latina, defende maior ambição do Brasil na transição para a economia circular. Após trocar o jornalismo pela gestão ambiental, Luísa se frustrou com a falta de mudanças nas empresas e abraçou a economia circular, que propõe produção sem resíduos e regeneração natural. Ela contribuiu para a Estratégia Nacional de Economia Circular e busca expandir práticas sustentáveis em setores como plásticos e moda. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma volta ao mundo, em 2005, logo depois de se formar, fez com que Luísa Santiago trocasse o jornalismo pela gestão ambiental. Tinha sido inspirada pelo contato com diferentes ecossistemas, projetos que trabalhavam com conservação. Tornou-se consultora de sustentabilidade de empresas ligadas à indústria de óleo, gás e mineração, o que a levou a morar na Amazônia. Mas continuava inquieta: —Comecei a ter uma certa frustração. Eu entrava nas empresas e trabalhava com áreas que não mudavam a forma de fazer as coisas. Lidava com orçamentos baixos, mitigação de problemas causados pelos negócios. Trabalhei com clientes, que tinham áreas estabelecidas de sustentabilidade, mas não conseguia conversar com CEOs e mudar a lógica do negócio de ganhar dinheiro. Foi então que tomou contato com os conceitos da economia circular, que rompe com a lógica do modelo tradicional, de extrair, produzir e descartar. Defende a produção sem resíduos em todas as etapas, a manutenção dos materiais em circulação, seja como produto ou matéria-prima e a regeneração da natureza. Luísa escreveu a primeira dissertação de mestrado sobre o tema da América Latina e criou um evento como parte da programação de um festival da Fundação Ellen MacArthur. Quando a fundação decidiu abrir o primeiro escritório fora da Europa, há 11 anos, foi escolhida para liderar a empreitada. Luísa é diretora-executiva para a América Latina da Fundação Ellen MacArthur, uma rede global de empresas, pesquisadores, ONGs e universidades, que ajudam na formulação de oportunidades econômicas na transição para a economia circular. —Mais de 90% da perda de biodiversidade tem a ver com a lógica extrativa e poluidora que a nossa economia funciona desde a revolução industrial. Transformar o modelo da economia para uma economia circular é inverter essa lógica —diz ela. Luísa participou diretamente das discussões que contribuíram para a formulação da Estratégia Nacional de Economia Circular, assinada pelo presidente Lula em junho de 2024: —A política do Brasil já nasce com o princípio de regeneração da natureza incorporado nela. Entre os projetos prioritários para o futuro, a fundação vai mirar nas cadeias produtivas de plásticos e embalagens, moda e minerais críticos —nesse caso, com foco nas baterias de veículos elétricos, que devem gerar 11 milhões de toneladas de resíduos por ano até 2030: —A fundação passou 15 anos colocando no mapa a economia circular. Até o ano passado quase cem países tinham as primeiras políticas sobre o tema no mundo. Agora a gente quer dar escala à transformação, mudando as práticas nas empresas. Pode ser desde a escolha de materiais, os modelos de negócios para circulação desses bens à infraestrutura existente para que se transforme o sistema todo e não apenas práticas voluntárias.