Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A empresária e advogada Helen Moraes, CEO do Grupo Habita Moraes, é referência em regularização fundiária urbana, com foco em inclusão e segurança jurídica — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 19:23 Helen Moraes é destaque por inovações em moradias populares sustentáveis Helen Moraes, empresária e advogada, é destaque na lista "101 brasileiros que transformam o futuro" de O GLOBO, por sua atuação no mercado imobiliário com foco em moradias populares. Fundadora do grupo Habita Moraes, ela busca oferecer lares sustentáveis e de qualidade para famílias de baixa renda, enfrentando desafios como a regularização fundiária e o racismo estrutural. Com projetos em 17 municípios, Helen visa entregar 500 unidades até 2027. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Referência na chamada Regularização Fundiária Urbana (Reurb) e na criação de moradias populares, a empresária e advogada Helen Moraes acredita ser a primeira mulher negra dona de uma incorporadora e construtora no Brasil. As empresas de seu grupo, o Habita Moraes, fundado em 2020 com foco em expandir o acesso à habitação de qualidade, aos serviços públicos e à infraestrutura das cidades, têm hoje valor de mercado — somando todos os seus empreendimentos imobiliários — de R$ 300 milhões. Para além de ver crescer o faturamento, ela cultiva uma meta de vida: construir cada vez mais lares seguros, confortáveis e sustentáveis mesmo para quem tem orçamento limitado. A CEO é especialista em direito imobiliário e urbanismo social. Ergue imóveis para famílias de baixa renda em áreas, por vezes ocupadas irregularmente, que são, então, legalizadas. Hoje, mais da metade da população brasileira vive em imóveis com alguma irregularidade, segundo dados do governo federal. Helen ainda compartilha sua expertise capacitando profissionais e gestores públicos, e promove ações de incentivo à participação feminina no mercado imobiliário. — Dar oportunidade de moradia digna sempre foi um sonho meu. Poder construir, financiar casas lindas, semimobiliadas, enfim, um verdadeiro lar — revela Helen, que sempre ouviu de seus pais que poderia ser o que quisesse quando crescesse, desde que estudasse e tentasse ser sempre a melhor em tudo. Regularização fundiária Mesmo com todo o sucesso profissional, ela ainda se depara com situações de racismo no dia a dia: — Meus antepassados estavam nos canteiros de obras ou nas cozinhas dos canteiros. Hoje, sou eu quem comanda as obras. Eu me sinto realizada. Mas diariamente, quando me coloco como CEO, vejo que as pessoas não se sentem confortáveis e tentam me descredibilizar. Espero que muitas outras mulheres pretas me vejam e acreditem que é possível vencer. Que venham comigo nesta jornada. A empresária revela que, mesmo prevista em lei federal desde 2017, a Reurb ainda precisa ser difundida nas prefeituras país afora. E enxerga na regulamentação dessas áreas um dos caminhos para reduzir o déficit habitacional brasileiro, atualmente em cerca de seis milhões de moradias. Com empreendimentos em 17 municípios de sete estados, ela defende que é preciso adicionar à conta quem já tem um teto, mas sem um título de propriedade, e ainda quem se aperta em bairros insalubres, sem esgoto e pavimentação, entre outras mazelas urbanas. Por isso, suas empresas abarcam desde a regularização até a reforma e a incorporação, tendo o caráter social como norte. Para 2027, a estimativa é de entregar cerca de 500 unidades, no Rio e em São Paulo. — Todos os municípios brasileiros têm problemas com regularização fundiária e imobiliária. Poucos zeraram, mas aí surgem novos problemas. Se apostarmos na política da Reurb, mais de cem milhões de brasileiros podem ser beneficiados — contabiliza.