Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jota Mombaça se tornou referência na arte queer com performance, vídeo, arte instalativa e escrita — Foto: Pedro Yared Lima RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 23:11 Jota Mombaça explora gênero e migração entre Europa e Brasil Jota Mombaça, uma referência da arte queer, transita entre Europa e Brasil abordando questões de gênero e migração. Destacada na lista "101 brasileiros que transformam o futuro" do O GLOBO, Jota une teoria e vivência em sua arte interdisciplinar. Recentemente, inaugurou uma instalação na Sonsbeek na Holanda e busca imaginar futuros além da linearidade do tempo. A artista planeja um novo livro sobre trânsito e identidade estrangeira, aproveitando seu tempo no Brasil para escrever em português. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO De Natal (RN) para o mundo, Jota Mombaça construiu uma trajetória internacional a partir de sua produção interdisciplinar, que passa por performance, vídeo, arte instalativa e escrita; de uma prática que une teoria à vivência; e com temas que abordam memória, crítica anticolonial, questões de gênero, corpos dissidentes e migração. Atualmente, dividindo-se entre Lisboa e a capital potiguar, ela inaugurou, no início do mês, uma instalação na edição 2026 da Sonsbeek, a mais antiga exposição de arte pública da Europa, realizada desde 1949 no Park Sonsbeek em Arnhem, na Holanda. Tanto na sua produção quanto em ações de curadoria, tornou-se referência da arte e estudos queer no país, abrindo caminhos (e o futuro) para outros nomes do circuito nacional. Um momento chave de sua carreira foi a performance “A gente combinamos de não morrer” (2018), com título emprestado do conto da escritora Conceição Evaristo, na qual traça estratégias artísticas de sobrevivência contra as violências impostas aos corpos dissidentes. Nessa linha, articulou que “o futuro é privilégio para poucos”, ao passo que, atualmente, busca outras formas de imaginar diferentes realidades. — Da forma como se apresenta, o futuro foi sequestrado. A própria emergência da IA nos chega pela indústria sob uma narrativa da inevitabilidade. Não me interessa discutir se é inevitável ou não, ainda que seja necessário, buscar maneiras de reivindicar (o futuro) — contrapõe Jota. — Tento exercitar a imaginação sem obedecer a essa linearidade hegemônica do tempo, onde o futuro é sempre o depois. Nossos calendários funcionam dessa maneira, mas nas nossas experiências seguem cada vez menos por aí. Tenho preferido habitar essas outras temporalidades. Arte em trânsito A artista de 35 anos também pretende voltar a se dedicar à escrita, depois de integrar a 18ª edição da Festa Literária de Paraty (Flip), em 2020, e publicar “Não vão nos matar agora” (2021), pela Cobogó. Entre projetos como a participação na Bienal Busan, na Coreia do Sul, em agosto, e a 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP, em setembro, Jota trabalha em uma nova publicação, para o ano que vem: — Estou esboçando um novo livro que vai abordar essa perspectiva do trânsito e da posição da estrangeira. Quero aproveitar o tempo no Brasil no segundo semestre para escrever em português, pensar na minha língua. Com um currículo que inclui participações na Documenta 14, em Atenas e Kassel (2017); na 22ª Bienal de Sydney (2020); na 34ª Bienal de São Paulo (2021); e na 60ª Bienal de Veneza (2024), além de residências em instituições como a Rijksakademie (Holanda), Nottingham Contemporary (Reino Unido) e Kadist San Francisco (EUA), Jota faz um movimento de retorno, tanto nos meses passados no Brasil quanto no espaço da criação artística. — Passei a pensar muito na questão da migrante depois que fui embora do Brasil. Mas, recentemente, comecei a finalmente conectar isso com a história do Nordeste, que é marcada por esses movimentos retirantes, a necessidade de sair do próprio território — comenta a artista, de Portugal. — Essa ideia de trânsito tem me interessado muito, o espaço que minha prática pôde ganhar quando comecei a circular por tantos lugares e, ao mesmo tempo, alimentar também o território onde nasci e cresci, no qual estou inscrita.