Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Adriano Paraíso é diretor de Pessoas e Comunidades da Revolusolar, associação que levar energia solar a comunidades de baixa renda — Foto: Marina Calderon / Agência O Globo. RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 15:20 Adriano Paraíso impulsiona energia solar em comunidades carentes no Brasil Adriano Paraíso, diretor da Revolusolar, lidera a implementação de usinas de energia solar em comunidades de baixa renda, atingindo seis estados brasileiros. O projeto visa capacitar moradores e promover a transição energética. Paraíso destaca a importância de ver as periferias como centros de tecnologia social e avança com iniciativas como a parceria com o programa Minha Casa, Minha Vida. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Aos 39 anos, Adriano Paraíso, diretor de Pessoas e Comunidades da Revolusolar, associação sem fins lucrativos dedicada a levar energia solar a comunidades de baixa renda, tem um sonho: ver placas fotovoltaicas em todas as favelas do Brasil e, se possível, do mundo. Também deseja que, um dia, as áreas periféricas sejam vistas como celeiros de tecnologia social. —Criamos soluções todos os dias. Queria que nos vissem como um território com múltiplas possibilidades de gerir tecnologia e soluções. É isso que fazemos na Revolusolar. Aqui, a gente sonha, acredita e faz, mesmo que aos trancos e barrancos. Paraíso já desenvolvia trabalhos sociais em Nova Iguaçu, onde morou com a família até se mudar, há 11 anos, para a Zona Sul carioca. A mudança transformou não só sua vida, mas também parte do território. Paraíso se tornou primeiro secretário da associação de moradores do Morro da Babilônia, no Leme, e se aproximou da Revolusolar, criada pelo empreendedor belga Pol Dhuyvetter, que instalou placas solares para abastecer o hostel que montou na comunidade. Dhuyvetter queria espalhar as placas em toda a favela. Expansão orgânica Porém, sob o impacto de confrontos de facções nas comunidades Babilônia e Chapéu Mangueira, o belga voltou para a Europa. O uruguaio Juan Cuervo, então, assumiu o empreendimento das placas solares. Naquele momento, coube a Paraíso fazer a ponte entre a entidade e os jovens do Morro da Babilônia. Assim, a Revolusolar começou a se abrir para diferentes comunidades. A expansão, conta Paraíso, foi orgânica: hoje, são 22 usinas solares em seis estados (RJ, SP, ES, TO, PA, AM), e sua atuação inclui, além da instalação de placas solares, a formação profissional, para que os moradores possam trabalhar na instalação e realizar a gestão dos créditos das usinas de geração fotovoltaica. —Já capacitamos mais de cem moradores de diferentes locais —conta. Em Miracema (TO), onde Paraíso esteve no início do mês, o sistema foi instalado sobre viveiro de mudas hidropônicas de alface, coentro e cheiro verde. A energia solar abastece as bombas d'água, e o calor das placas ajuda as plantas a se desenvolverem. A produção é vendida em feiras locais pela Aliar (Associação Aliança para um Futuro Melhor), e os recursos são revertidos para obras sociais. Para concretizar esse ideal, ele diz que a voz das comunidades precisa ser ouvida: —Hoje mantemos o sonho de implantar as usinas nas comunidades carentes e levar a transição energética para o Brasil todo. No caminho para materializar o plano, o trabalho avança. A entidade começa a implantar energia solar no programa Minha Casa, Minha Vida, no Espírito Santo, em parceria com a concessionária distribuidora EDP. Também realiza os primeiros testes de um sistema de microrredes de geração de energia solar para comunidades isoladas na Amazônia. —Há locais em que a energia não chega ou chega muito mal. Vamos começar pelo Pará, onde estamos em fase de testes, em sandbox. Este é um projeto para os próximos três anos —revela Paraíso.