Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O maestro e compositor Matheus Avlis atua como regente e professor no Conservatório de Música de Eaubonne, na França — Foto: Xavier Braun RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 23:21 Maestro brasileiro Matheus Avlis busca transformar Brasil em polo de música erudita Matheus Avlis, maestro de 31 anos, destaca-se na Europa enquanto desenvolve projetos para transformar o Brasil em um celeiro de regentes e solistas. Atualmente, ele atua no Conservatório de Eaubonne, na França, prepara-se para estudar gestão musical na Sorbonne e mantém forte vínculo com o Brasil. Avlis defende que o país pode alcançar reconhecimento internacional na música erudita, assim como no futebol e na música popular. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Matheus Avlis Gonzaga Valdevino de Sousa já foi maestro assistente das orquestras do Theatro da Paz, em Belém, e do Teatro Nacional, em Brasília. Hoje, atua como regente e professor no Conservatório de Música de Eaubonne, na França, prepara-se para um curso de administração e gestão musical na Sorbonne, em Paris, e desenvolve projetos no Brasil. Pensou num senhor de cabelos brancos? Que nada. O brasiliense que segura a batuta tem 31 anos e não mede esforços para ajudar a projetar a música de concerto brasileira no mundo. Sua proposta acadêmica apresentada na banca da Sorbonne, onde estudará a partir de setembro, deixa claro que o continente europeu nunca representou um destino final. Ao defender um projeto sobre modelos de gestão de grandes orquestras e instituições culturais dos Estados Unidos, da França, da Alemanha e da Inglaterra, Matheus precisou convencer os avaliadores de que a pesquisa seria relevante para países que ainda buscam consolidar estruturas no meio erudito. —Tive que dizer para eles: "Talvez essa pesquisa não seja tão útil para vocês, porque vocês já têm tudo. Mas olhem para o Sul Global" —lembra. —Estou aproveitando o que o mundo está me dando... Mas é óbvio que o meu coração está no Brasil. E espero que meus grandes projetos sejam no Brasil e voltados para o mundo. Assim como a gente tem a seleção brasileira de futebol e também grandes artistas populares com alcance no exterior, podemos ser celeiro para orquestras, regentes e solistas com reconhecimento no exterior. Por que não? Essa projeção cria condições para as pessoas desejarem esse universo. Uma vocação A relação de Matheus com a música começou cedo. No Distrito Federal, ele cresceu em meio a corais evangélicos frequentados pelos pais. Até os 12 anos, só ouvia louvores cristãos e clássicos instrumentais. O repertório se ampliou na adolescência, quando passou a também escutar medalhões da MPB e do rock, como Caetano Veloso, Elis Regina, Jimi Hendrix, Tom Jobim, entre outros ("E aí bateu uma onda pesada, sabe? Foi realmente uma revolução para mim", relembra). Antes mesmo de saber que aquilo tinha nome, divertia-se corrigindo o pai — os dedos no ar, pra lá e pra cá, como se segurasse uma batuta — durante os ensaios na igreja. Mais tarde vieram os estudos de canto, piano, composição e regência na Escola de Música de Brasília e na Universidade de Brasília, a UnB. A carreira deslanchou. Em 2024, recebeu um convite para ingressar na École Normale de Musique de Paris. Não fez prova. A vaga foi oferecida diretamente por um professor da instituição — e a formação foi viabilizada por um casal de mecenas brasileiros. O período na França, recém-concluído, abriu novas portas e oportunidades. E outras estão a caminho. Paralelamente, Matheus ainda desenvolve uma tese de doutorado na UnB sobre a produção de óperas brasileiras contemporâneas. O levantamento já identificou cerca de 70 obras que tiveram estreias entre 2000 e 2025. O número contraria a percepção de que o gênero está parado no tempo. — O mundo já tem interesse pela cultura brasileira. Por que, então, as orquestras brasileiras não estão nos grandes festivais do mundo? O Brasil acabou de ganhar um ouro na última edição dos Jogos Olímpicos de Inverno… Quero ver a música de concerto também nesse lugar. A gente produz muito mais do que imagina, e acho que chegou a hora de mostrar isso — afirma ele, que virá ao Brasil, em breve, para reger um espetáculo de balé e uma ópera, esta assinada pelo brasileiro João McDowell.
Matheus Avlis: Jovem maestro se destaca na Europa sem perder de vista os projetos que podem fazer do Brasil um celeiro de novos regentes e solistas
Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã






