Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Artur Avila é professor na Universidade de Zurique e pesquisador extraordinário do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) — Foto: Daryan Dornelles / IMPA RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 19:46 Artur Avila: Medalhista Fields promove avanços matemáticos em Zurique O matemático Artur Avila, único brasileiro a vencer a Medalha Fields, continua sua jornada de descobertas em sistemas dinâmicos, agora como professor na Universidade de Zurique. Aos 47 anos, ele valoriza a transmissão de conhecimento, incentivando seus alunos de doutorado a alcançarem avanços próprios. Avila destaca a importância de superar a aversão à matemática no Brasil e critica a superficialidade na era digital. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O apetite para resolver problemas complexos de sistemas dinâmicos continua inabalável. O novo ingrediente na vida do matemático Artur Avila, 12 anos após receber a maior premiação já concedida a um cientista brasileiro, a Medalha Fields, é ter o prazer de transmitir conhecimento para que seus alunos de doutorado também sintam o gostinho de fazer avanços, ganhar confiança e se “descobrir matematicamente”. Aos 47 anos, Artur Avila é hoje professor na Universidade de Zurique e pesquisador extraordinário do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio, onde iniciou seus estudos. Foi lá que concluiu o seu doutorado, em 2001, aos 21 anos, sob a orientação de Wellington de Melo, mestre que marcou de forma definitiva seu processo analítico. — Comecei a estudar por volta de 19 anos. Eu era muito rápido porque vinha de Olimpíadas (de Matemática). Tinha um raciocínio veloz e estava habituado a isso. E ele insistiu muito que era importante desenvolver um tempo mais longo para as coisas. De vez em quando, fazer as coisas mais devagar para atingir um nível maior de profundidade — ensina Avila. Esse tempo para compreender com “um nível maior de profundidade” tornou-se chave para treinar e fortalecer ainda mais a capacidade de se concentrar por longos períodos e, assim, resolver problemas do campo da física e da matemática que resistiram por muitos anos — habilidade que lhe rendeu a mais alta distinção em seu segmento. Porém, quando reflete e projeta o seu exemplo como estímulo para desenvolver a matemática no Brasil, observa um cenário preocupante. Em primeiro lugar, vê um ambiente social e familiar que valoriza pouco o conhecimento básico em matemática. Percebe que a aversão à matéria passa de pais para filhos. — Tem que quebrar esse ciclo em algum momento. Eu tenho a posição de que o contato inicial com a matemática, a exposição e a maneira como o ambiente familiar ou social a valorizam são válidos para outras coisas. É um trabalho grande a ser feito não só pelos atores que são convencionalmente delimitados para esse papel, que são a escola e os professores — afirma Avila. Em um universo cada vez mais digital, ele também identifica crescente superficialidade do consumo de informação, e avalia que, sem estímulo dentro de casa, os jovens perdem progressivamente a capacidade de se dedicar por muito tempo a uma atividade. — A falta da capacidade de firmar um objetivo sem se perder, sem querer uma recompensa rápida, torna difícil você chegar a uma compreensão maior. Então, a gente vai para uma superficialidade, que começa no consumo da informação, em que o cérebro das pessoas se liga nessa necessidade constante de mutação — complementa. Problemas para resolver Com orgulho, Avila continua desenvolvendo o pensamento complexo. Conta que sua maior satisfação não é ser reconhecido com prêmios, mas sim resolver problemas, compreender ou intuir alguma coisa nova. Como professor, percebe satisfação em ver os outros batalhando o próprio caminho, “com os primeiros teoremas para ganhar confiança” e, quem sabe um dia, também chegar lá. — Meus sonhos são demonstrar novos teoremas, sempre na intimidade do matemático. A gente está sempre olhando para essa descoberta. Vai querer continuar abrindo conhecimento e, ao mesmo tempo, abrindo para outras pessoas. Precisa de mais gente dentro dessa exploração.
Artur Avila: Único brasileiro vencedor da Medalha Fields, matemático segue em busca de descobertas
Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã






