Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad são responsáveis pelo único título da Acadêmicos do Grande Rio, em 2022 — Foto: Theobald/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 23:17 Carnavalescos da Grande Rio Integram Academia e Cultura Popular Leonardo Bora e Gabriel Haddad, carnavalescos da Acadêmicos do Grande Rio, são reconhecidos por integrar conhecimento acadêmico ao carnaval, destacando enredos engajados e desafiadores. Com sólida formação acadêmica, eles impulsionam a conexão das escolas de samba com suas comunidades e a cultura popular. Destacam-se por abordagens inovadoras, como em "Fala, Majeté!", e sua visão sobre a evolução contínua do carnaval. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Há pouco mais de uma década militando no carnaval carioca, a dupla formada por Leonardo Bora e Gabriel Haddad (também conhecidos por Boraddad ou, simplesmente, “Os meninos”) ajudou a aperfeiçoar uma relação que vem do Salgueiro de Fernando Pamplona, escola que revelou nomes como Rosa Magalhães e Joãosinho Trinta: a integração do conhecimento acadêmico com a folia, conectando os enredos às comunidades onde estão enraizadas as escolas e se aprofundando na cultura popular. Responsáveis pelo único título da Acadêmicos do Grande Rio, em 2022, com “Fala, Majeté! As sete chaves de Exu”, eles já levaram à avenida desde nomes gigantes da música brasileira, como Zeca Pagodinho e Ivete Sangalo, passando pela lenda das rainhas turcas no folclore do Pará, chegando, em 2026, a Heitor dos Prazeres, em sua estreia na Unidos de Vila Isabel, terceira colocada. —Às vezes construímos uma imagem idealizada de “sambista tradicional” como sendo o protótipo de alguém mais conservador, fechado, de pouco dialógico — diz o paranaense Bora. — Mas aí pensamos nas trajetórias de Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres, dois “sambistas tradicionais” que viviam inventando e reinventando tradições, transitando por diversos círculos culturais da cidade e do mundo, disputando e ocupando espaços, costurando relações. Isso é um grande ensinamento. Enredos engajados Na análise dos artistas, após duas décadas marcadas por uma sucessão de enredos patrocinados que pouco se conectavam às matrizes sambistas e aos imaginários simbólicos das escolas de samba, houve, nos últimos anos, “safras” (palavra muito utilizada pelos sambistas) de enredos potentes, engajados e desafiadores, que, consequentemente, estão gerando ótimos sambas e desfiles memoráveis. Modestos, os dois, que têm sólidas formações acadêmicas, dizem não ver com nitidez seu papel em uma mudança no carnaval e na cultura cariocas. —É complicado analisar uma conjuntura quando se está dentro dela, um todo dinâmico e plural — diz o carioca Haddad. — Acreditamos que as manifestações do carnaval carioca (e as escolas de samba, especificamente) estão em permanente mudança, se reinventando. Os próprios conceitos de “tradição” e “identidade”, por exemplo, são vivos e mutantes. Apesar das ótimas “safras” recentes, a falta de mulheres carnavalescas é uma preocupação: — A ausência delas no Grupo Especial é algo que mostra que as mudanças também podem ser negativas, havendo retrocessos absurdos. Para o carnaval 2027, a dupla — que faz parte de uma geração com nomes como Leandro Vieira, na Imperatriz, e Tarcísio Zanon, atual campeão com a Viradouro — vai levar à avenida o premiado romance “Torto Arado”, de Itamar Vieira Júnior, seguindo uma tendência da folia de se conectar com a literatura que busca contar uma parte oculta da história do Brasil. —Ainda que, a exemplo de toda a sociedade brasileira, o universo carnavalesco seja repleto de tensões e contradições, os saberes que circulam nas quadras, nos barracões, nos ateliês e nas avenidas certamente podem nos ajudar a pensar um Brasil mais encantado, vivo, dinâmico — arrematam.
Leonardo Bora e Gabriel Haddad: Carnavalescos fortalecem integração da folia com o conhecimento acadêmico e vibram com o protagonismo de enredos engajados
Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã






