A arquitetura é marcada por uma ambiguidade. Se por um lado pode libertar e trazer bem-estar, por outro pode provocar dor e confinamento. Essa dualidade esteve no centro de uma mesa que reuniu o escritor José Godoy e o arquiteto paraguaio Solano Benítez na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, nesta sexta-feira (24).
Com mediação da jornalista e escritora Francesca Angiolillo, o encontro discutiu como os espaços podem ser usados para acolher ou para oprimir. Godoy ficou responsável por discorrer sobre o potencial destrutivo de territórios e construções.
Em junho desse ano, ele lançou o livro "A Ilha do Silêncio: Terror e Genocídio na Terra do Fogo". Por meio de uma mistura de ensaio e reportagem, o volume narra os horrores que aconteciam na ilha Dawson, no meio do estreito de Magalhães. Esse pedaço de terra foi palco de dois episódios brutais de violação de direitos.
No fim do século 19, o Estado chileno converteu a ilha numa prisão para indígenas selk’nam e kawésqar.
Situação parecida aconteceu nos anos 1970, quando o regime de Augusto Pinochet criou por lá um campo de concentração para encarcerar membros do governo Salvador Allende, derrubado por militares golpistas fiéis a Pinochet. No livro, Godoy esmiúça como aquele território se transformou em instrumento de sofrimento.















