O FMI acabou de publicar uma versão atualizada do relatório Artigo IV sobre o Brasil. Trata-se de uma publicação que é atualizada anualmente e que faz um amplo diagnóstico da economia, apresentando também projeções de médio prazo para os principais agregados macroeconômicos.
Nessa edição mais recente, um exercício em particular me chamou a atenção: são simulações dos vários efeitos macroeconômicos resultantes da implementação do pacote de consolidação fiscal recomendado pelo FMI, que levaria o resultado primário do setor público brasileiro de um déficit de cerca de 0,5% do PIB em 2025 para um superávit de mesma magnitude já em 2027, atingindo um resultado positivo de cerca de 2,5% do PIB em 2031.
Ou seja: trata-se de um ajuste fiscal de cerca de 3 pontos percentuais do PIB, executado ao longo de cinco anos, que seria obtido tanto com medidas pelo lado das despesas como pelo lado das receitas (sobretudo a redução de gastos tributários e uso das receitas petrolíferas).
Eu e meu colega do FGV Ibre Manoel Pires elencamos, em um documento publicado há algumas semanas, um conjunto amplo de medidas que poderia viabilizar esse plano.
As simulações apontam que o impacto desse ajuste seria contracionista nos primeiros dois anos, mas sem gerar uma recessão –uma vez que o ajuste seria compensado por juros mais baixos.










