Relatório de panorama da economia brasileira afirma ainda que governo deveria promover ajuste nos gastos públicos para permitir taxas de juros mais baixas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Brasão do Fundo Monetário Internacional (FMI) na sede da instituição em Washington, D.C. — Foto: Samuel Corum / Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 16:14 FMI: Impacto das Tarifas Comerciais no Brasil Será Limitado O FMI considera que as tarifas comerciais recentes terão impacto macroeconômico modesto no Brasil, que mostra resiliência apesar dos choques globais. Relatórios indicam que exportações para os EUA representam menos de 2% do PIB, com crescimento para outras regiões. O Brasil deve focar em ajuste fiscal para reduzir dívida e permitir juros menores, assegura o FMI, destacando ainda a importância do aumento das exportações de soja para a China. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou em relatório nesta quinta-feira que a economia brasileira tem se mostrado resiliente nos últimos anos, apesar de sucessivos choques, incluindo as recentes tensões comerciais globais. Para o órgão, apesar da possibilidade de mais uma tarifa aplicada ao Brasil, de 12,5%, para além da de 25% sancionada na semana passada, “espera-se que o potencial impacto macroeconômico seja modesto”. De acordo com dois documentos divulgados hoje — a consulta anual do Artigo IV e a avaliação do setor financeiro, de sigla FSAP —, os ganhos desse rearranjo global com a aplicação de tarifas podem ser “mais do que compensados pelos efeitos indiretos negativos decorrentes da incerteza sobre as políticas econômicas globais”. Segundo o FMI, como as exportações para os EUA representavam menos de 2% do PIB antes dos aumentos das tarifas e as exportações para outras regiões cresceram, o impacto macroeconômico direto das tarifas no Brasil foi limitado. “O aumento das exportações de soja para a China desempenhou um papel central" no processo de menor impacto na balança comercial brasileira e no déficit atenuado nas transações correntes do país. Notável resiliência O órgão lembrou que, em agosto do ano passado, a tarifa efetiva aos produtos brasileiros — incluindo aqueles isentos — foi de 29,1%, acima da tarifa média dos EUA para outras economias. O status de exportador líquido de petróleo e à alta participação de fontes renováveis em sua matriz energética fez o Brasil registrar uma “notável resiliência” diante do choque da commodity causada pelo conflito no Irã. Por conta deste perfil, o FMI projeta que o país cresça 2,4% em 2026 “em meio a termos de troca positivos associados a preços globais de petróleo mais elevados” e aos estímulos fiscais. O órgão afirmou ainda que as tarifas, apesar de romperem com as cadeias globais de suprimento e promover inflação, podem fazer o Brasil “experimentar efeitos modestamente positivos de desvio de comércio”, como o de produtos agrícolas. O FMI afirmou ainda que o país precisa enfrentar o que chamou de “esforço fiscal mais ambicioso”, a fim de colocar a dívida pública em uma trajetória “firmemente descendente e abrir espaço para investimentos prioritários”. O comitê de avaliação ressaltou ainda que “uma postura fiscal mais firme apoiaria a desinflação e abriria caminho para taxas de juros mais baixas”. Se o esforço fiscal ficar aquém do previsto, disseram, o governo poderia criar um aumento da incerteza e intensificar pressões inflacionárias. As perspectivas para o crescimento, apesar de positivas, podem ser alteradas diante da “elevada incerteza global” ocasionada pelo conflito. Para o Fundo, uma possível escalada das tensões no Oriente Médio podem elevar a inflação e, “por meio de condições financeiras mais restritivas e de uma menor demanda global, reduzir a atividade econômica”.