Sobre eventual aplicação da Lei da Reciprocidade, entidade defende que o Brasil deve evitar “decisões precipitadas” que causem “mais problemas” Ricardo Alban: “O que nós não queremos são decisões precipitadas que propiciem mais problemas do que soluções' — Foto: Foto: Wenderson Araujo/Valor O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a tarifa adicional de 12,5% anunciada nesta quinta-feira (23) pelos Estados Unidos contra o Brasil e outros 59 parceiros comerciais, sob alegações de fiscalização frouxa das proibições de trabalho forçado, já era esperada. Segundo ele, a prioridade deve ser a continuidade das negociações entre Brasília e Washington para tentar reverter a medida. Questionado sobre a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade, Alban defendeu cautela e afirmou que o Brasil deve evitar “decisões precipitadas” que causem “mais problemas”. “O que nós não queremos são decisões precipitadas que propiciem mais problemas do que soluções. Você acionar [a Lei da Reciprocidade], não significa agir. É essa a minha leitura", declarou a jornalistas ,após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na sede da pasta, em Brasília. O encontro integra a rodada de consultas conduzida pelo governo com representantes dos setores atingidos pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo Alban, a reunião tratou das medidas que a CNI poderá adotar para apoiar, “de imediato”, as empresas afetadas. A confederação pretende criar um grupo de trabalho para mitigar os impactos sobre os segmentos mais expostos e buscar mercados alternativos para as exportações brasileiras, informou o presidente. O governo do presidente Donald Trump anunciou, nesta quinta-feira (23), tarifas gerais de 10% e 12,5% a 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, devido a alegações de fiscalização frouxa das proibições de trabalho forçado. O Brasil entrou na lista dos países que terão tarifa-base de 12,5%. O governo brasileiro rechaçou a decisão e acusou o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de manipular o tema, sem base legal, "para sustentar sua política comercial protecionista".