Presidente-executivo da associação, José Velloso, disse que a solução para o impasse deve focar na atuação diplomática do governo brasileiro e pelo diálogo com empresários americanos O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou que o setor é contrário à aplicação da Lei da Reciprocidade em resposta à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Segundo ele, a solução para o impasse deve focar na atuação diplomática do governo brasileiro e pelo diálogo com empresários americanos. "Não entendemos que reciprocidade ou retaliação vai resolver um problema político. O que vai resolver um problema político é diplomacia do Estado e diplomacia junto a empresários norte-americanos", disse a jornalistas, após reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, em Brasília (DF). Velloso acrescentou que tem a impressão de que outros setores da economia também se posicionariam contra a aplicação da Lei da Reciprocidade, caso o governo promova uma consulta pública sobre o tema. "Ainda existe espaço para a diplomacia, dado que existe um componente político muito grande [na imposição do tarifaço]", afirmou. A formalização do tarifaço ocorreu na noite da última quarta-feira (15), quando o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) publicou a resolução que estabelece a tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros. O USTR acusa o Brasil de práticas comerciais injustas, com alegações contra o etanol, desmatamento, o Pix e a venda de produtos falsificados. Na avaliação do executivo, a indústria de máquinas e equipamentos defende que o Brasil mantenha as negociações pela via diplomática e intensifique o diálogo com o setor empresarial dos Estados Unidos. “A motivação do governo norte-americano é política desde o início, mas o empresário norte-americano nos apoiou [na audiência do USTR ]”, disse. "O trabalho que vem sendo feito [na via diplomática], tem que continuar sendo feito.” Durante a reunião, a Abimaq apresentou propostas para elevar a competitividade da indústria e sugeriu ajustes nos critérios de elegibilidade de empresas no programa Brasil Soberano para facilitar o acesso ao crédito. Segundo Velloso, Alckmin comprometeu-se a analisar as demandas e apresentar um retorno ao setor. O executivo afirmou que o governo demonstrou "bastante sensibilidade e preocupação" com o desempenho das exportações da indústria de máquinas e equipamentos. Nos últimos 12 meses, as exportações do setor cresceram 12%, apesar da redução da participação do mercado americano nas vendas, de 26% no primeiro tarifaço para os atuais 22%, segundo Velloso. "Nossa preocupação é ampliar mercados. O setor responde muito bem a estímulos. Estamos batendo recorde de exportações, apesar de uma grande queda nos Estados Unidos", afirmou. Na avaliação dele, o desempenho mostra que as medidas adotadas no âmbito do Plano Brasil Soberano no ano passado “surtiram efeitos”. Sobre a possibilidade de os EUA aplicarem uma tarifa adicional de 12,5% no âmbito da investigação comercial relacionada a trabalho forçado, Velloso afirmou que a sobretaxa de 25% continua sendo mais prejudicial por atingir exclusivamente os produtos brasileiros. “A tarifa de 25% é pior porque é uma tarifa para o Brasil. Então tira a competitividade do nosso produto em relação ao produto asiático, produto europeu, produto de outras origens. Na questão dos 12,5%, seriam para todos os nossos concorrentes também”, explicou. “Se empilhar mais 12,5%, a gente vai perder competitividade com o concorrente norte-americano, mas eu não perco competitividade em relação a outras origens. Então, é um é um problema menor do que os 25%, mas é um problema sério”, completou. José Velloso, da Abimaq — Foto: Gabriel Reis/Valor