Segmentos afetados pela nova rodada de tarifas de 25% dos EUA contra o Brasil pediram nesta terça-feira (21) que o governo federal erga barreiras à importação de produtos chineses, amplie programas de crédito e siga nas negociações diplomáticas com os EUA, sem acionar a Lei de Reciprocidade.

O governo ouviu as associações dos setores de máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, plástico, calçados, pneus e a indústria têxtil. O ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) escutaram as demandas empresariais e pediram estimativas de impacto do tarifaço, mas não indicaram em detalhes quais políticas de mitigação o governo adotará.

Na última quarta-feira (15), a Casa Branca anunciou um novo tarifaço de 25% sobre uma ampla gama de setores industriais brasileiros. A medida atinge cerca de 18% das exportações aos Estados Unidos, ou algo como US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões) em mercadorias, segundo as contas do governo brasileiro.

Alguns setores sentirão a sobretaxa com mais força. É o caso do segmento da madeira, que verá 81% das exportações aos EUA atingidas pelas novas tarifas, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). A nova rodada também afetará 56% das exportações de minerais não metálicos, 51% das exportações de químicos e 38% das exportações de alimentos para os EUA.