Geopolítica é a luta por poder e influência na qual as peças do xadrez são o território das nações e os recursos econômicos disponíveis. Desde o ano passado, o mundo assiste a uma ­disputa entre Estados Unidos e China nesse tabuleiro. Ao voltar à Casa Branca, Donald Trump não teve pudor em usar todas os instrumentos à mão. A guerra comercial via “tarifaços” faz parte dessa ofensiva. Outra frente de batalha é a corrida por “minerais críticos”, substâncias que não são fáceis de encontrar na natureza e valiosas na área militar, em transição energética e na economia digital. O Brasil possui reservas generosas dessas substâncias, em especial de terras-raras, daí o presidente Lula estar empenhado no propósito de levar o País a aproveitar os recursos e se valer do jogo geopolítico para fortalecer a nossa posição global e apoiar a industrialização nacional. Segundo seus auxiliares, o mercado dos minerais críticos não é tão grande, mas esse não é o aspecto mais relevante. O que conta são as oportunidades de poder. É a geopolítica.

Os planos lulistas incluem um conselho com amplos poderes ligado ao presidente para tomar decisões estratégicas, como homologar mudanças na composição societária das empresas. Interessa ainda o controle das exportações em nome da obtenção de tecnologia e da industrialização. Não à toa, essas ideias enfrentam resistência das mineradoras privadas, em intenso lobby no Senado contra as posições do Palácio do Planalto, auxiliadas por um aliado no próprio governo, o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia. Em uma ala governamental oposta a Silveira, há quem diga que os propósitos presidenciais têm tudo para funcionar como uma “virada de chave” em um quarto mandato de Lula e ditar o ritmo e a “cara” do capítulo final da vida política do petista.