A paixão é a matéria-prima de todas as óperas, mas em nenhuma outra ela molda a linguagem musical tão cabalmente quanto em "Tristão e Isolda", de Richard Wagner. Antes mesmo da entrada em cena dos cantores, o famoso "Prelúdio" orquestral traduz o movimento incessante do desejo em melodias sinuosas e harmonias que deslizam de dissonância em dissonância sem encontrar repouso.
Quase cinco décadas se passaram desde a última apresentação da obra no Theatro Municipal de São Paulo. Embora sua montagem tenha sido programada ainda na gestão anterior, a estreia marca a chegada do Instituto Baccarelli à direção dos corpos artísticos da casa.
Tudo indica que a nova fase do Municipal trará leituras mais tradicionais das óperas, rompendo com a tendência —forte sobretudo em teatros europeus— a alterar substancialmente a concepção original em nome de um diálogo mais direto com temas contemporâneos.
Um dos primeiros sinais da virada foi a troca da produção de "Tristão e Isolda" assinada por Daniela Thomas pela de Allex Aguilera, apresentada originalmente pelo Teatro de la Maestranza, em Sevilha.
Aguilera foi econômico na direção cênica e na cenografia, deixando os cantores imóveis num palco praticamente vazio durante longos trechos. A escolha pode parecer infeliz para uma ópera de quatro horas de duração —quase cinco, contando os intervalos.











