[RESUMO] A montagem, feita pelo Theatro Municipal de São Paulo, de "Tristão e Isolda", obra-prima que mudou os rumos da arte e do pensamento ocidental, desperta reflexões sobre o alcance e os significados do projeto artístico de Richard Wagner, permeado por um ideal de pureza e um elã totalitário. A influência incontornável do compositor contrasta com a instrumentalização do seu legado pelo nazismo e, hoje, por grupos antissemitas, o que requer que o culto à sua música enfrente as contradições da sua obra.

Faltam poucos dias para o amor morrer. Somando as cinco récitas, que se iniciam a partir da quarta-feira (22), quase 8.000 pessoas vão ao Theatro Municipal de São Paulo para ver a ópera "Tristão e Isolda", a espetacular obra-prima de Richard Wagner que, desde o pináculo do romantismo alemão, tornou-se matriz de todas as paixões impossíveis purificadas pela morte, e mudou os rumos da filosofia, da política e de toda a história da arte.

A obra do compositor alemão não é montada no Municipal há 48 anos. No Brasil, as encenações mais recentes datam de 2011, no Festival Amazonas de Ópera, em Manaus, e de 2003, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ao ser anunciado no ano passado, o título foi recebido com expectativa e apreensão pela comunidade lírica. Os ingressos foram esgotados em abril, mas a instabilidade institucional do teatro tornou incerta a realização da montagem.