A conversa de Flávio Bolsonaro com diplomatas, na qual repete mentiras de seu pai para questionar as urnas eletrônicas e as eleições no Brasil, não pode deixar de ser vista em sua dimensão golpista. O senador, que já havia perdido o entusiasmo de setores da direita democrática, deu mais um passo para despertar desconfianças sobre sua candidatura. Não por acaso, vemos direitistas empurrando suas fichas para 2030.

Além da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, das relações com a Casa Branca e dos problemas com parte do eleitorado feminino e evangélico, a situação de Flávio não é favorecida pelo quadro de contaminação da política do Rio pelo crime organizado e quadrilhas corruptas.

Até o momento, as apurações da Polícia Federal e do Ministério Público não mencionaram o pré-candidato, mas seus laços com os investigados são conhecidos e politicamente relevantes.

No centro da cena está o ex-governador Cláudio Castro, que renunciou para se livrar de uma cassação e é alvo de operações para apurar benefícios concedidos ao grupo Refit e aplicações bilionárias de recursos do Rioprevidência em fundos ligados ao Master.

Durante seu governo, Castro teve em Flávio um aliado. A relação entre os dois acabou naturalmente por submergir, mas isso não altera o fato de que compartilharam, por anos, pelo menos o mesmo projeto de poder.