Dirigentes avaliam que senador reacendeu debate que prejudicou o ex-presidente e dizem que insistir em questionamentos sobre o sistema eleitoral afasta eleitores de centro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro discursa para plateia de representantes do corpo diplomático de 42 países — Foto: Divulgação Novo Selo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 19:08 Cúpula do PL critica Flávio Bolsonaro e pede foco em economia e segurança A cúpula do PL criticou Flávio Bolsonaro por reacender o debate sobre as urnas eletrônicas, tema que prejudicou Jair Bolsonaro, afastando eleitores de centro. Dirigentes orientam o senador a focar em assuntos como economia e segurança pública. Flávio defendeu observadores internacionais, mas negou questionar o sistema eleitoral. O PL quer evitar associações com a estratégia falha de 2022. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A repercussão das declarações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre as urnas eletrônicas provocou incômodo entre integrantes da cúpula do PL e abriu uma discussão sobre os rumos da campanha presidencial. A leitura predominante entre dirigentes do partido é que o senador cometeu um erro ao retomar um tema que levou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, à inelegibilidade e que, na visão deles, pouco contribui para ampliar o eleitorado para além da base bolsonarista. Integrantes da direção do partido afirmam que Flávio está falando "bobagem" ao insistir no assunto. Embora alguns compartilhem críticas ao atual modelo eleitoral, avaliam que transformar novamente as urnas em um dos eixos da campanha tende a produzir mais desgaste do que ganhos políticos. Um dirigente afirmou, sob reserva, que as urnas funcionam e voltar a fazer disso uma bandeira seria um erro. A orientação transmitida ao senador é que concentre a campanha em temas capazes de dialogar com o eleitor que hoje ainda resiste ao PL, como economia, segurança pública, inflação, geração de empregos e custo de vida. Para a cúpula do partido, insistir no debate sobre as urnas apenas reforça a associação entre Flávio e a estratégia adotada por Jair Bolsonaro em 2022, afastando a imagem de maior previsibilidade e moderação que o pré-candidato tentou emplacar. A comparação com o caso Bolsonaro, aliás, é considerada inevitável dentro do próprio partido. Em julho de 2022, então presidente da República e candidato à reeleição, Bolsonaro reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada para apresentar, sem provas, suspeitas de fraude nas urnas eletrônicas e atacar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O encontro foi transmitido pela TV Brasil e contou com a participação de ministros de Estado. Ao condenar Bolsonaro por cinco votos a dois, em junho de 2023, o TSE concluiu que o então presidente cometeu abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao utilizar a estrutura da Presidência da República para desacreditar o sistema eleitoral. Em seu voto, o relator Benedito Gonçalves afirmou que a reunião não poderia ser analisada isoladamente, mas dentro de um contexto mais amplo de ataques reiterados às urnas e à Justiça Eleitoral. É justamente esse risco que dirigentes do PL querem evitar. Embora não enxerguem risco de uma punição semelhante para Flávio, avaliam que o episódio recolocou na agenda um tema que consideravam superado e deu à oposição a oportunidade de associar o senador ao discurso que marcou a campanha derrotada de seu pai, há quatro anos. Reação na campanha O incômodo foi ampliado porque parte da equipe sequer esperava que o assunto fosse abordado. Segundo interlocutores da campanha, o discurso apresentado no encontro com embaixadores passou por revisão prévia de assessores, mas nem todos os integrantes do núcleo político sabiam que Flávio faria referências às urnas eletrônicas, à empresa venezuelana Smartmatic e ao episódio da reunião promovida por Jair Bolsonaro com representantes diplomáticos em 2022. A repercussão negativa levou a campanha a discutir, ainda na noite de terça-feira, a melhor estratégia para responder ao caso. Durante o evento, realizado em Brasília, Flávio afirmou que muitas das máquinas utilizadas nas eleições brasileiras teriam "a mesma origem" da empresa venezuelana Smartmatic. Em seguida, lembrou que o pai ficou inelegível após uma reunião com embaixadores e pediu que os países enviassem o maior número possível de observadores internacionais para acompanhar as eleições brasileiras. Ao longo da fala, porém, afirmou que não estava questionando o sistema de votação do país. A referência à Smartmatic contraria informações já divulgadas pelo TSE. Em nota publicada originalmente em 2020 e atualizada em 2022, a Corte afirma que a empresa "não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras", tampouco participou da programação dos equipamentos. Segundo o tribunal, a Smartmatic apenas prestou serviços de conexão de dados e treinamento de profissionais que atuavam no suporte técnico das urnas, além de ter participado, sem sucesso, da licitação vencida pela Positivo Tecnologia para fabricar os equipamentos utilizados nas eleições. Apesar da repercussão, a campanha avalia que o episódio dificilmente produzirá consequências jurídicas semelhantes às enfrentadas por Jair Bolsonaro. Integrantes do núcleo jurídico admitem, reservadamente, que adversários podem apresentar representações ao TSE, mas sustentam que há diferenças relevantes entre os dois casos. A principal delas, afirmam, é que Flávio participou de um evento privado, promovido por uma empresa de comunicação, sem utilizar a estrutura da Presidência da República ou qualquer outro recurso da máquina pública. Também ressaltam que ele não ocupa cargo de chefe do Executivo e afirmou expressamente, durante o discurso, que não colocava em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Foi essa a linha adotada na nota divulgada poucas horas após a repercussão. O documento, assinado pelo coordenador-geral da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e pela coordenadora jurídica, Maria Claudia Bucchianeri, afirma que "não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil". Segundo a campanha, o senador apenas mencionou "dois fatos públicos e amplamente divulgados": a reunião com embaixadores que levou à inelegibilidade de Jair Bolsonaro e um relatório recentemente divulgado pela CIA sobre supostas fraudes nas eleições venezuelanas. A nota acrescenta que Flávio afirmou expressamente não questionar o sistema eleitoral brasileiro e sustenta que sua manifestação se limitou a defender o fortalecimento das missões internacionais de observação das eleições.
Cúpula do PL vê erro de Flávio ao repetir discurso de Bolsonaro sobre urnas e o orienta a abandonar o tema
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