Presidenciável mencionou informações inverídicas sobre uma empresa venezuelana ao pedir a uma plateia de representantes diplomáticos estrangeiros que enviem 'a maior quantidade de observadores possível' para acompanhar o pleito de outubro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 22:53 Flávio Bolsonaro Reitera Discurso de Desconfiança nas Urnas Eletrônicas Flávio Bolsonaro citou informações falsas sobre urnas eletrônicas brasileiras, mencionando uma empresa venezuelana, durante encontro com diplomatas estrangeiros. Parlamentares de esquerda criticaram a fala, comparando-a à estratégia de Jair Bolsonaro, que questionava a integridade do sistema eleitoral. Flávio negou duvidar do processo e pediu observadores internacionais para garantir a transparência nas eleições. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Parlamentares de esquerda criticaram o pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) por citar uma informação falsa sobre as urnas eletrônicas brasileiras ao pedir a uma plateia de representantes diplomáticos estrangeiros que enviem "a maior quantidade de observadores possível" para acompanhar o pleito de outubro. Na fala, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — que se tornou inelegível por uma reunião com embaixadores na qual teceu ataques ao sistema eleitoral do país — mencionou dados inverídicos sobre uma empresa venezuelana que aparece em documentos da CIA divulgados pela gestão Trump na semana passada. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que Flávio utliza o "mesmo roteiro que levou Jair Bolsonaro a ficar inelegível". O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu, em 2023, que o pai de Flávio praticou abuso de poder político e usou indevidamente meios de comunicação ao atacar, sem provas, as urnas eletrônicas na reunião às vésperas da campanha à reeleição na qual acabou derrotado. "Flávio, nós não vamos entrar no TSE para pedir sua inelegibilidade. É isso que você quer, né? Para se dizer perseguido, para ficar acusando. Nós vamos derrotar você e sua turma nas urnas!", escreveu Lindbergh. O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ) afirmou que Flávio "já está cantando o argumento da derrota". "Atenção! O cara já está cantando o argumento da derrota, porque sabe que em outubro não vai pro segundo turno. Ele só mentiu sobre o Dark Horse, tem foto com o capanga do Vorcaro, está numa família que briga entre si, com o pai preso e sem nem mesmo vice definido para a chapa", disse o psolista. Já o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) ironizou a stuação questionando se Flávio "não era o Bolsonaro moderado?". "Já começaram os ataques às urnas e ainda estamos em julho. Flávio, a próxima coisa em que você vai imitar seu papai é perder as eleições", disse o ex-ministro. Em nota, Flávio negou ter colocado em dúvida o processo eleitoral brasileiro e acrescentou que o convite para a presença de observadores internacionais "segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral". Entenda o caso A declaração aconteceu durante encontro "Debatendo o Brasil", realizado nesta terça-feira, em Brasília, pelo site The Brazilian Report e a agência Novo Selo Comunicação. Anteriormente, o grupo já realizou agendas semelhantes que contaram com a presença de outros dois presidenciáveis, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), além do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. Estavam presentes membros do corpo diplomático de 42 países, como Estados Unidos, Israel, Reino Unido, África do Sul, Austrália, Paraguai, União Europeia e Alemanha, entre outros. — O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes — disse Flávio Bolsonaro. Antes, o parlamentar havia feito referência a documentos da CIA tornados públicos na semana passada, que levantam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano. A papelada faz parte de um pacote de conteúdos divulgados pela Casa Branca após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado da família Bolsonaro, realizar um pronunciamento levantando suspeitas de interferência estrangeira nas eleições americanas de 2020. O documento em questão, apesar de apontar que oficiais da Venezuela desenvolveram interesse e "alguma capacidade" em manipular sistemas eletrônicos de votação, não obteve confimação definitiva de que fraudes eletrônicas de grande escala foram executadas com sucesso no país. Ao discursar, Flávio citou especificamente a empresa venezuelana Smartmatic, repetindo uma informação falsa já desmentida no passado pelo TSE: — E uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país — afirmou Flávio, acrescentando o dado equivocado: — Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana. A Smartmatic não fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. Em 2017, quando a informação falsa começou a viralizar nas redes, o TSE publicou uma nota a desmentindo. "As urnas eletrônicas brasileiras foram projetadas por técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta coordenação, por empresas selecionadas por meio de processos licitatórios públicos e de ampla concorrência", diz a nota. Novos desmentidos foram publicados pelo tribunal nos ciclos eleitorais seguintes, como em 2020 e 2022. Questionado nesta terça-feira, o TSE reafirmou que não há relação entre as urnas e a empresa venezuelana. A Smartmatic já celebrou contratos com a Justiça Eleitoral brasileira. No entanto, eles versavam sobre a prestação de serviços de conexão de dados e voz e não envolviam a programação ou operação das urnas eletrônicas. A empresa venezuelana até chegou a participar de uma licitação para fabricar urnas para as eleições de 2020, mas perdeu a disputa para uma concorrente.