Parlamentar fez referência a documentos da CIA tornados públicos na semana passada, que levantam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Preparação de urnas eletrônicas — Foto: O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 22:38 Flávio Bolsonaro Reitera Falsidade Sobre Urnas a Diplomatas, TSE Refuta O senador Flávio Bolsonaro repetiu uma alegação falsa sobre urnas eletrônicas brasileiras a diplomatas, já desmentida pelo TSE em 2017. Ele mencionou a empresa venezuelana Smartmatic, associada a fraudes, apesar de esta não fornecer urnas no Brasil. Flávio defendeu observadores internacionais, alegando transparência, mas o TSE reafirmou a segurança do sistema eleitoral brasileiro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, citou ontem uma alegação falsa sobre as urnas eletrônicas brasileiras ao pedir a uma plateia de representantes diplomáticos estrangeiros que enviem “a maior quantidade de observadores possível” para acompanhar o pleito de outubro. Na fala, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — que se tornou inelegível por uma reunião com embaixadores na qual teceu ataques ao sistema eleitoral do país — mencionou dados inverídicos sobre uma empresa venezuelana que aparece em documentos da CIA divulgados pela gestão Trump na semana passada. À noite, após a repercussão do episódio, Flávio negou que coloque “em dúvida o processo eleitoral brasileiro”. A declaração aconteceu durante o encontro “Debatendo o Brasil”, realizado em Brasília pelo site The Brazilian Report e a agência Novo Selo Comunicação. Anteriormente, o grupo já realizou agendas semelhantes que contaram com a presença de outros dois presidenciáveis, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), além do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. Estavam presentes membros do corpo diplomático de 42 países, como Estados Unidos, Israel, Reino Unido, África do Sul, Austrália, Paraguai, União Europeia e Alemanha, entre outros. — O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes — disse Flávio. Flávio Bolsonaro discursa para plateia de representantes do corpo diplomático de 42 países — Foto: Divulgação Novo Selo Antes, o parlamentar havia feito referência a documentos da CIA tornados públicos na semana passada, que levantam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano. A papelada faz parte de um pacote de conteúdos divulgados pela Casa Branca após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado da família Bolsonaro, realizar um pronunciamento levantando suspeitas de interferência estrangeira nas eleições americanas de 2020. O documento em questão, apesar de apontar que oficiais da Venezuela desenvolveram interesse e “alguma capacidade” em manipular sistemas eletrônicos de votação, não obteve confirmação definitiva de que fraudes eletrônicas de grande escala foram executadas com sucesso no país. Ao discursar, Flávio citou especificamente a empresa venezuelana Smartmatic, repetindo uma informação falsa já desmentida no passado pelo TSE. — E uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país — afirmou Flávio, acrescentando o dado equivocado: — Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana. A Smartmatic, entretanto, não fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. Há quase uma década, em 2017, quando a informação falsa começou a viralizar nas redes pela primeira vez, o TSE publicou uma nota a desmentindo. “As urnas eletrônicas brasileiras foram projetadas por técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta coordenação, por empresas selecionadas por meio de processos licitatórios públicos e de ampla concorrência”, dizia a nota. Novos desmentidos foram publicados pelo tribunal nos ciclos eleitorais seguintes, como em 2020 e 2022. Questionado ontem, o TSE reafirmou que não há relação entre as urnas e a empresa venezuelana. Em nota divulgada durante à noite, Flávio Bolsonaro disse que “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro”. Segundo o senador, “o convite para a presença de observadores internacionais segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”. O texto, contudo, não explica a vinculação equivocada da empresa venezuelana com as urnas brasileiras. Sem relação A Smartmatic já celebrou contratos com a Justiça Eleitoral brasileira. No entanto, eles versavam sobre a prestação de serviços de conexão de dados e voz e não envolviam a programação ou operação das urnas eletrônicas. A empresa venezuelana até chegou a participar de uma licitação para fabricar urnas para as eleições de 2020, mas perdeu a disputa para uma concorrente. O próprio Flávio lembrou à plateia da condenação do pai pelo TSE, que, durante encontro com embaixadores no Palácio do Planalto em 2022, também teceu acusações infundadas sobre o sistema eleitoral brasileiro. — Alguém que tinha preocupação com a transparência, a segurança do nosso sistema eleitoral e apenas manifestava as suas preocupações para que os embaixadores levassem esse cenário de preocupação para os seus países — argumentou, minimizando o episódio. O TSE, contudo, entendeu que o pai de Flávio praticou abuso de poder político e usou indevidamente meios de comunicação ao atacar, sem provas, as urnas na reunião às vésperas da campanha à reeleição na qual acabou derrotado. Segundo a acusação, ao transmitir o discurso com ataques às urnas eletrônicas na TV Brasil e em redes sociais, Bolsonaro teve “expressivo alcance na difusão de informações falsas já reiteradamente desmentidas”.
Dado falso sobre urnas repetido por Flávio Bolsonaro a diplomatas já havia sido desmentido pelo TSE em 2017
Parlamentar fez referência a documentos da CIA tornados públicos na semana passada, que levantam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano






