O ano de 2016 será lembrado como o começo da segunda onda de destruição da cidade de São Paulo: foi regulada a nova lei de zoneamento, permitindo adensamento e edifícios altos perto de estações de metrô, trens, corredores de ônibus, ou seja, qualquer parte. Permitidas fachadas ativas e prédios sem recuos. Lojinhas familiares ficaram com cara de hall de prédio.
Em uma década, o número de lançamentos passou de 19 mil apartamentos por ano para 140 mil. Mas a infraestrutura da cidade não acompanhou o aumento. Deu um nó no trânsito, na segurança e na qualidade de vida, com muita poluição —fumaça, visual e sonora.
Quando anunciaram que estava liberada a construção de torres de 30 andares em bairros de sobrados e "predinhos" como Pinheiros, Vila Madalena, Sumaré, a cidade perderia regiões arborizadas e ventiladas.
Ao reclamar com um dos urbanistas responsáveis, como se eu advogasse em causa própria, ele me acusou de ser um "nimby" —ou "not in my backyard", adepto da política contra mudanças em sua vizinhança.
Da minha varanda, eu avistava a Universidade de São Paulo, Osasco, a marginal Pinheiros, o Pico do Jaraguá e a Cantareira. Hoje, vejo prédios, prédios, prédios e a serra da Cantareira tomada por novos bairros que sobem como cupinzeiros.







