Vários problemas urbanos atuais de São Paulo têm a ver com a revisão da Lei de Zoneamento de 2024, que mudou as regras de uso e ocupação do solo na cidade favorecendo a construção de prédios com dezenas de andares. Permitiu-se a ampliação das áreas de adensamento e dos perímetros das ZEUs (Zonas de Estruturação Urbana), onde são permitidas as construções com mais altura na cidade.

O Plano Diretor é o conjunto de regras utilizadas pelo município para direcionar o crescimento da cidade, estimulando em quais áreas deve haver maior ou menor expansão imobiliária. Já a Lei de Zoneamento define exatamente o que pode ou não ser construído quadra a quadra. Revisões recentes nesses regramentos provocaram uma corrida do mercado imobiliário porque ampliaram trechos do município em que se tem permissão para construir prédios maiores.

Em fevereiro, o TJ (Tribunal de Justiça) concedeu uma liminar que suspendeu provisoriamente a emissão de novos alvarás de construção, demolição e supressão vegetal e paralisou as obras em 168 quarteirões da capital com base em uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) movida pelo Ministério Público. Ficaram parados 4.459 processos de licenciamento urbanístico em tramitação. Em março, houve recurso da Câmara Municipal junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) e, no mês seguinte, o ministro Edson Fachin suspendeu a liminar.