O centro de São Paulo está em transformação. Uma população jovem passou a ocupar os antigos edifícios da região e novos negócios da economia criativa se instalam em espaços antes abandonados e deteriorados. É um movimento positivo, aparentemente irreversível, que traz para a região ares de modernidade e vitalidade urbana. Muita gente quer morar por ali e usufruir suas delícias.
Há, porém, um fantasma que atazana seus novos e velhos habitantes e frequentadores: os moradores de rua. Eles insistem em mostrar diariamente que o problema não está resolvido, que a cidade ainda é injusta e que a pobreza não pode ser apagada num piscar de olhos. Eles estão em todos os lugares, deitados na calçada, caminhando para pedir dinheiro e cigarros ou sentados em alguma praça.
Pesquisa do Datafolha de 2024 mostrava que essa era a questão mais crítica da região para 93% de seus moradores. Em segundo lugar vinha o problema dos usuários de droga.
A região central é uma síntese da cidade. Expõe num mesmo ambiente a desigualdade social e as virtudes e mazelas da metrópole. Não é um lugar para idealizações. Basta andar um pouco para esbarrar em alguém deitado na calçada sob um cobertor. Agora, com o frio do inverno, paira sobre essa pessoa a ameaça de mais doenças e morte.






