São Paulo é uma cidade de pelo menos uma hora. O conceito de cidade de 15 minutos, criado pelo pesquisador franco-colombiano Carlos Moreno, ainda é um sonho distante por aqui. Para a maioria da população, o percurso a pé ou de bicicleta, como preconiza Moreno, entre a moradia, trabalho, serviços de saúde, educação, comércio e lazer extrapola em muito esse tempo ideal.

Para atender suas necessidades básicas no dia a dia, o paulistano precisa circular mais do que um morador de Paris, por exemplo, onde a ex-prefeita Anne Hidalgo promoveu o conceito, atrelado à diminuição do uso de carros e ao controle das emissões de gás carbônico.

A desigualdade social e a fragmentação urbana, que separa os bairros de periferia dos locais de emprego, transformam os 15 minutos numa utopia. Além da forte cultura automobilística, a mobilidade ativa é pouco facilitada pela falta de infraestrutura e por problemas de segurança. Pessoas não vão às ruas por medo.

A experiência urbana do habitante de São Paulo é cheia de obstáculos e marcada por uma histórica falta de planejamento, que afeta principalmente a população menos favorecida.

O tempo médio de viagem que um paulistano leva de casa até o trabalho, por exemplo, supera meia hora, segundo dados do Censo 2022. Cerca de 32% dos moradores da cidade fazem esse trajeto em transporte público ou privado gastando de 30 min a 1h; 26%, de 1h a 2h; e 3,6%, mais de 2h. A situação é pior à medida que o cidadão tem menos escolaridade ou é negro.