A favela mais populosa de São Paulo, Paraisópolis, na região sul da cidade, pode passar por um processo de reurbanização que a alteraria profundamente. A prefeitura lançou, na semana passada, as bases de um programa de intervenção na comunidade e abriu consulta pública para receber sugestões da população. O edital de licitação está previsto para o segundo semestre.

O principal problema de Paraisópolis é a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital). De acordo com reportagem da Folha, a facção ampliou o controle territorial sobre a comunidade, bloqueia de vias de acesso, fiscaliza atividades das organizações sociais e cobra taxas dos comerciantes. Diante disso, o projeto da prefeitura seria uma forma de aumentar o controle sobre o espaço da criminalidade com obras. Haverá muitas desapropriações.

Chamada de "Nova Paraisópolis", a iniciativa tem destaques como o prolongamento da avenida Hebe Camargo, que liga a favela à estação São Paulo-Morumbi do metrô. Com ela, o tempo para cumprir esse percurso cairia de 45 para 15 minutos. A prefeitura também pretende requalificar 36 km de ruas e vielas, enterrar fiações, melhorar a ventilação e fazer obras de saneamento nesses locais.

Está prevista a canalização dos córregos Antonico e Itararé. Em 2024, moradores de Paraisópolis ouvidos pela Folha relataram que o PCC expulsou trabalhadores e paralisou obras iniciadas no Antonico.