Depois da malfadada concessão do Anhangabaú, a praça Roosevelt é a bola da vez. Na semana passada, a Prefeitura de São Paulo lançou um edital para a concessão da praça à iniciativa privada. O consórcio escolhido pagará uma outorga e ganhará o direito de exploração comercial; em troca, fará a manutenção e os investimentos na praça e na rua Gravataí, aquela ruazinha entre a Roosevelt e o parque Augusta.
Não se trata de uma praça qualquer.
A Roosevelt conta parte da história de São Paulo. Já foi mato, já foi chácara da família Prado, hospedou velódromo, foi transferida para o município, ganhou o nome de praça Consolação e, em 1950, o do ex-presidente americano Franklin D. Roosevelt. Asfaltada, tornou-se um estacionamento nos dias de semana; aos sábados, abrigava uma feira e, aos domingos, a missa. À noite, recebia os frequentadores do Baíuca, da doceria Vendôme, Sujinho, Cine Bijou e Teatro Cultura Artística.
A ligação leste-oeste, na década de 1970, mudou tudo. As obras viárias rasgariam a praça e um novo projeto modernista, com cinco andares abrigando estacionamento, centro esportivo e educacional, polícia e supermercado foi concebido para funcionar como uma "tampa" sobre os veículos.
O monstro de concreto não deu certo. A degradação física, violência e sujeira se acentuaram nas décadas de 1980 e 90, coincidindo com o fechamento de lojas, bares e restaurantes no entorno.













