Após a fracassada concessão do Vale do Anhangabaú para a iniciativa privada, o prefeito Ricardo Nunes, do MDB, abriu consulta pública para fazer o mesmo com a Praça Roosevelt. Polo cultural de São Paulo, a área corre até o risco de perder o nome, porque o edital dá direito à concessionária vencedora de explorar naming rights. A administração do Anhangabaú, pela empresa VivaVale, é tão caótica que a prefeitura pediu encerramento do contrato cinco anos antes.
Apesar da malfadada experiência, o prefeito insiste na ideia de entregar a uma empresa a gestão do “Complexo Roosevelt”, com o alegado objetivo de fazer reformas nas calçadas e jardins, em troca da exploração comercial de quiosques e de um estacionamento que fica no subterrâneo. O dramaturgo Rodolfo García Vázquez, um dos fundadores do Grupo Satyros, que teve um papel decisivo na conversão do espaço em um polo cultural da capital paulista, acha absurda a ideia de rebatizar a praça. “É como colocar à venda um bem público”, avalia. Vásquez recorda que a Praça Roosevelt era um espaço abandonado até a instalação de teatros e bares no local. “Era uma das regiões mais perigosas do Centro. Só havia prostituição e tráfico de drogas. Quando chegamos, recebíamos ameaças constantemente”, recorda. Foi a atriz cubana Phedra Córdoba quem ajudou o teatro a se consolidar. “Nós a convidamos para trabalhar com a gente e ela nos apresentou à comunidade trans, que nos acolheu.” A partir de então, novas companhias se instalaram na praça. “Foram os teatros que levantaram esse lugar, sem nenhum apoio do Poder Público. E, agora, querem entregar para o mercado?”










