Que me perdoe o colega Paulo Vieira, dono da coluna No Corre, desta Folha, mas acredito ser importante fazer um apelo para esse monte de organizadores de corridas pelas ruas de São Paulo: que tal promoverem eventos que incluam caminhadas mais longas e não apenas os mixurucos 3k que (poucas) promotoras de pernadas cidade afora incluem na programação? Por que não promover caminhadas longas, não como os passeios guiados por pontos históricos, que param a cada quarteirão, mas percursos maiores pelos muitos cantos de nossas cidades? Ou será que só manifestações contra, a favor ou muito pelo contrário oferecem ocasião de bater pernas?
Quando um jornalista cai na lista de contatos das assessorias de eventos esportivos, a caixa postal amanhece lotada de emails dando conta de corridas aos montes, nada menos do que 7 ou 8 a cada final de semana por tudo quanto é canto do país. Bom, desde minha última São Silvestre, em 2014, nunca mais voltei a correr, preferi me dedicar a caminhadas, trilhas e que tais. E devo admitir que morro de inveja de ver tantas iniciativas voltadas para quem bota os bofes para fora pelos parques, ruas, praias e matas por aí.
Mesmo as grandes manifestações de rua paulistanas, a Marcha para Jesus, nesta quinta-feira (4), e a Parada LGBT, no domingo (7), mais festas que caminhadas, diga-se, limitam seus percursos a 3,5 quilômetros de seus pontos de partida até os finais. E não dá para dizer que entoar louvores ou bater leques se enquadrem na categoria de exercícios aeróbicos, por mais animados que sejam.












