Correr maratonas é um fetiche, e essa prova ganhou um estatuto especialíssimo.

Digo aqui uma redundância, mas quem a pratica, mesmo uma única vez, torna-se maratonista, palavra a ser vocalizada com esmero, as sílabas bem escandidas: ma-ra-to-nis-ta.

Estou em outra, mas ainda assim sou acometido por uma certa síndrome do impostor quando a correr os 42 km, algo que fiz pouco, 13 vezes, dados meus muitos anos de cascalho.

Importo o conceito de síndrome do impostor da psicanálise corporativa, na qual profissionais consideram-se incompetentes para um cargo de liderança, mesmo quando a "performar".

Na maratona eu não observo o cânone, o "ciclo", o processo de preparação de em geral quatro meses que todo educador físico impinge ao candidato a ma-ra-to-nis-ta. Parece que estou sempre a desrespeitar a coisa.