Durante a maior parte de sua vida adulta, Jamie Panzarella correu quase todos os dias, frequentemente perdida em seus pensamentos, mal percebendo seu próprio corpo. "Eu me sentia como um cavalo —livre e selvagem", diz ela. "Era quase como sonhar." Ao longo dos anos, completou cinco maratonas e mais de 20 meias maratonas.

Então, há alguns anos, a sensação mudou. Seus dedos dos pés —lentamente enrijecendo devido a uma forma de artrite degenerativa— já não dobravam direito, e com o tempo ela passou a sentir cada pisada dolorosa de forma aguda. "Nunca mais consegui entrar no ritmo", diz Panzarella, que agora tem 51 anos e mora em Austin, Texas. A dissociação onírica da qual dependia há anos havia desaparecido.

Seu médico logo explicou o que estava em jogo para seu corpo: "Você tem um balde finito de quilômetros", ela lembra dele dizendo. "Você quer gastar todos agora, ou quer poder fazer uma trilha com seus netos quando estiver na casa dos 70?" Era hora de parar de correr.

Para os cerca de 50 milhões de americanos que correm regularmente, raramente é apenas exercício. É terapia, meditação, comunidade e identidade, muitas vezes tudo ao mesmo tempo. Quando o corpo finalmente diz não, a perda pode ser devastadora.