A morte de Júlio Barreto após concluir uma meia maratona em São Paulo, no último dia 26, causou previsível comoção midiática e mais previsível ainda reação da prefeitura paulistana, que anunciou a criação de um grupo de trabalho para se debruçar sobre algo que deveria ter sido sua preocupação desde sempre –até por ficar com a receita de taxas e a gerada pelos forasteiros.

Sem saber, Júlio fez sua última corrida; se inquirido, talvez escolhesse outro local para a prova fatídica. Possivelmente nem corrida fosse, dada sua intimidade com o pedal. O fotógrafo Caio Guatelli, ex-titular da coluna Ciclocosmo, desta Folha, lembrou-se dele como "um dos caras mais da paz" que já conheceu na bike.

Perguntei para algumas pessoas onde desejariam fazer a última corrida, caso soubessem da iminência da própria morte. Valia tudo: de prova "major" a cascalho solitário. Bicampeã da Corrida do Gari, Vanderléia de França disse que voltaria à cidade natal, Poção de Pedras (MA), onde jamais correu, para também rever sua família.

Tadeu Guglielmi, que está por oito provas de concluir seu projeto de correr cem maratonas em todos os continentes, disse que o que importa na equação são "as pessoas que escolhemos para nos acompanhar".