A disputa eleitoral de 2026 tem deixado em segundo plano um tema central: a estabilidade econômica do país. O Brasil caminha para uma crise fiscal, alimentada pela trajetória explosiva do endividamento público. Há incerteza quanto à capacidade do governo de gerar superávits primários suficientes para estabilizar ou inverter a trajetória da dívida.

Isso, em geral, eleva o prêmio de risco soberano, que, por sua vez, tende a depreciar o câmbio, desancorar as expectativas de inflação e pressionar os juros. O resultado pode acabar sendo um quadro de estagflação, com desaceleração da atividade econômica concomitante à aceleração da inflação.

Falta, porém, senso de urgência. Quando o tema aparece, costuma vir embalado em promessas de choque de gestão, com corte de desperdícios, junção de ministérios e outras medidas simbólicas. Hoje, menos de 10% da despesa primária federal é de alocação discricionária. Há, sem dúvida, ineficiências administrativas, mas a raiz do problema está na rigidez das despesas obrigatórias, que crescem por regras próprias de indexação e vinculação constitucional.

Os títulos públicos já dão sinais de alerta. Papéis indexados à inflação são negociados com juros reais próximos de 8% ao ano em quase toda a curva, e o Tesouro chegou a cancelar leilões para não referendar a alta do prêmio de risco. Nos últimos três anos, a dívida indexada à Selic ganhou espaço e já responde por quase metade do estoque. Isso significa que um choque de risco fiscal pode elevar o custo da dívida mesmo sem novas emissões.