A Copa do Mundo de 2026 me trouxe mais raiva do que alegrias. Não sou particularmente ligada ao futebol e confesso não entender muito bem o fervor com que algumas pessoas torcem para um ou outro time, se apegam a um escudo, a uma camisa.
A final entre Espanha e Argentina foi particularmente cruel para o meu nível de cortisol. Ver os jogadores argentinos distribuírem empurrões, puxões e carrinhos maldosos contando com a complacência do árbitro fez meu sangue subir.
Me vi gritando xingamentos em frente ao aparelho de televisão e torcendo fervorosamente para a seleção espanhola, gritando com entusiasmo nomes de jogadores que, imediatamente antes do jogo, eu não sabia que existiam.
A Espanha ganhou e eu celebrei a vitória do bem sobre o mal com a ingenuidade que só a superficialidade desses momentos é capaz de proporcionar. Mas fui arrancada do meu êxtase justiceiro ao ver aquele time que jogou tão bonito, que não cedeu às provocações do adversário, receber a medalha e em seguida ser congratulado por nada mais nada menos do que Donald Trump, talvez um dos "jogadores" mais sujos, mais inescrupulosos, mais arrogantes que o mundo já viu.
O sangue, que havia finalmente voltado à temperatura normal no apito final do juiz, voltou a subir ao ver aquele homem asqueroso clamar para si o protagonismo daquela vitória. Me contentei em buscar atentamente qualquer sinal de desprezo no rosto de cada jogador que recebia os cumprimentos do presidente dos EUA.











