As Copas do Mundo não são campeonatos, mas crônicas concentradas do tempo e do mundo, repletas de cruzamentos simbólicos que extrapolam as linhas do campo. Os esforços do coveiro Infantino, no sentido de enterrar a relação entre futebol e vida, felizmente são apenas parcialmente exitosos e enganam somente os neófitos.

A conquista da Seleção Espanhola é a glória da pasteurização codificada, da vida securitária e sem acidentes, triunfo do futebol de almoxarifes, praticado por gerentes da logística e do prazo rigorosamente cumprido.

“Funciona”? Perfeitamente.

Fascina? Nem um pouco.

Já não se trata de opor valores, falar na leveza da plástica versus a força do corpo, discutir preparo físico, dietas nutricionais, medicina de ponta e câmeras hiperbáricas. Esses conhecimentos foram universalizados.