Radicado em Madrid desde 2009, jornalista Fernando Kallás elenca motivos para o título da Roja 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Torcedores espanhóis fazem festa nas ruas de Nova York na véspera da final da Copa do Mundo — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/07/2026 - 22:01 Espanha: Seleção de Futebol Une País em Meio a Tensões Identitárias O jornalista Fernando Kallás, vivendo em Madrid desde 2009, argumenta que a Espanha merece ser campeã por ser um símbolo de unidade num país marcado por tensões identitárias. A seleção espanhola conseguiu unir um povo polarizado, representando a diversidade cultural e étnica do país. Com jogadores que refletem essa riqueza, a equipe demonstra que é possível vencer com humildade e cooperação, destacando o futebol como um elo de união nacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Escrevi para pessoas queridas pedindo ajuda para compor este texto sobre minha relação com a seleção espanhola. O resultado foi uma enxurrada de mensagens que me pegaram de jeito. Porque já são quase dois meses longe de casa. E casa, para mim, há anos não é o Brasil. A cada resposta dava vontade de pegar o primeiro voo de Nova York para Madri para ver a final com as pessoas que amo, como em 2010. Porque o futebol tem a capacidade rara de nos fazer sentir pertencentes a um lugar. Mas daí meu amigo Emilio, um catalão que mora em Mallorca, fez questão de lembrar que a Espanha “é uma loucura”. É um território de identidades em constante tensão, como explica Raul, de Pontevedra. E a seleção virou o principal elemento de coesão de um país que muitas vezes não ama a si mesmo. Javi, que é de Fuenlabrada como Fernando Torres, lamenta que a Espanha viva mergulhada em uma polarização cada vez mais extrema, na qual qualquer assunto serve para nos dividir. Esta equipe conseguiu o contrário: criar um espaço onde todos se reconhecem. Torcedores da Espanha mostram bandeiras na arquibancada — Foto: Roberto Schmidt / AFP Rodri, basco e apaixonado pelo Athletic Bilbao, diz que a Espanha nunca esteve tão unida desde 2010, quando a primeira estrela conectou um país dividido. Amal, galega e filha de um imigrante sírio, explica que o futebol fez o que os partidos políticos não conseguem. Porque cada jogador da seleção representa um pedacinho da “pele do touro”, com todos os seus contrastes. Um basco como Oyarzabal é muito diferente de um compostelano como Borja Iglesias, assim como Lamine Yamal é fruto do sucesso da imigração. A riqueza da Espanha está em ser um país formado por pequenos países, cada um com sua identidade. Lamine Yamal em entrevista coletiva com a seleção da Espanha — Foto: Mauro Pimentel/AFP Quando existe um bem maior, as diferenças não desaparecem, mas deixam de ser um obstáculo. E essa é a Espanha que muitos de nós gostaríamos de ver também fora do futebol. Anton, de Astúrias, diz que a Espanha merece ser campeã porque defende, dia após dia, que o “como” é tão importante quanto “o quê”. Algo que o manchego Chitu diz ser representado pelo técnico Luis de la Fuente: uma vitória das pessoas humildes, persistentes e que não perdem a fé. O atacante espanhol número 21, Mikel Oyarzabal, comemora um de seus cinco gols na Copa — Foto: FRANCK FIFE / AFP O andaluz Ruben exalta a ausência de egos e o trabalho em equipe dos atletas, uma mensagem fundamental para uma sociedade cada vez mais individualista. O extremenho Lolo e o valenciano Diego destacam o contraste entre essa mentalidade e a dos rivais de hoje, um time construído em torno de uma grande individualidade. O madrilenho Tintó se orgulha de um time que há três anos ganha tudo sem subir no salto, com jogadores amigos entre si. Para Romero, é assim que eles mostram que é compatível ser famoso e ser boa pessoa. E tudo isso, como lembra Filippo, um imigrante italiano que mora em Madrid, com a bola como centro das atenções. A Espanha cuida, mima, protege, exalta, venera a bola. A bola é tudo! Como definem os madrilenhos Pinto e Ladislao, a Espanha é o futebol como deveria ser, jogado por uma seleção que representa um país tentando encontrar o que nos une.
'Pelo país que gostaríamos de ver fora do futebol': por que a Espanha merece ser campeã?
Radicado em Madrid desde 2009, jornalista Fernando Kallás elenca motivos para o título da Roja












