Seleção de De la Fuente dominou a bola, os espaços e até o jogo sem posse, mas precisou da prorrogação e do gol de Ferran Torres para transformar sua superioridade no bicampeonato mundial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rodri levanta a taça da Copa do Mundo após vitória da Espanha sobre a Argentina — Foto: Dan Mullan / Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/07/2026 - 21:04 Espanha Vence Argentina e Conquista Segundo Título Mundial na Prorrogação A Espanha conquistou seu segundo título mundial ao vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, em uma final marcada pelo domínio tático e de posse de bola. A equipe de Luis de la Fuente controlou o jogo, mas enfrentou dificuldades para converter esse domínio em gols. Ferran Torres marcou o gol decisivo, coroando uma atuação que, apesar de não ser avassaladora, foi suficientemente eficaz para desidratar a resistência argentina. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Espanha conquistou a Copa do Mundo com uma atuação de domínio raro numa final. A vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, na prorrogação, demorou muito mais do que a superioridade construída pela equipe de Luis de la Fuente sugeria. Para os colunistas do GLOBO, o bicampeonato premiou uma seleção capaz de controlar a bola, os espaços e os movimentos do adversário, embora a dificuldade para transformar tudo isso em gol tenha mantido a decisão aberta até os minutos finais. Desde o início, a Espanha esteve mais perto de impor o roteiro que desejava. Carlos Eduardo Mansur destacou como os movimentos espanhóis exploravam as perseguições da marcação argentina. “De Paul seguia Cucurella até a linha defensiva, induzindo a Argentina a formar uma linha de cinco e esvaziar o meio. Em outros momentos, Cubarsí atraía Mac Allister para que Dani Olmo ocupasse o espaço deixado atrás. Não era um massacre, mas a Espanha jogava muito mais confortável.” A pressão sem a bola foi tão importante quanto a posse. A Argentina, que costuma aproximar muitos jogadores para sair jogando, praticamente não conseguiu construir. Para Ana Thaís Matos, reapareceu um problema que acompanhou a equipe durante a competição: “O goleiro não fazia boas escolhas, os zagueiros não conseguiam atuar como construtores e a única alternativa era levar a bola pelos lados. Isso facilitava para a Espanha recuperar a posse e permanecer com ela.” O primeiro tempo terminou sem gols, mas com uma diferença clara entre as seleções. “Foi uma grande atuação da Espanha taticamente. Ela fez algo muito difícil, que é pressionar uma Argentina que reúne muitos jogadores em torno da bola. Os argentinos mal jogaram”, analisou Mansur. Faltava apenas contundência: os espanhóis liberavam jogadores entre as linhas e avançavam pelo campo, mas não convertiam o controle em chances tão claras quanto poderiam. Rodri era o centro de tudo. Ainda no primeiro tempo, acertou 50 dos 52 passes que tentou, recuperou três bolas e venceu todos os cinco duelos que disputou. “É o jogador que dá ordem a tudo o que acontece no campo. O dono do meio-campo”, resumiu Mansur. Marcelo Barreto também viu o volante como o comandante de uma equipe que deixou o jogo sob seu domínio, embora sem conseguir acelerar o suficiente para ferir a defesa argentina. Gustavo Poli ressaltou que as duas seleções haviam sofrido em diferentes momentos do mata-mata, mas apenas uma conseguiu jogar a final de acordo com suas características. “A Espanha deu uma aula de controle, posicionamento defensivo e movimentação ofensiva. Pode-se criticar a falta ocasional de contundência, porque é um time que marca menos gols do que seu domínio sugere. Mas sua capacidade de controlar as partidas é impressionante.” A Argentina apostava na resistência e esperava uma oportunidade isolada. Unai Simón precisou sair da área algumas vezes para interromper lançamentos em direção a Nico González, mas Messi permanecia distante do jogo. No segundo tempo, os argentinos tentaram pressionar Rodri com Enzo Fernández, assumindo riscos na defesa. A entrada de Nico Williams, Mikel Merino e Ferran Torres, jogadores mais agressivos atacando espaços, tornou a Espanha ainda mais perigosa. Mesmo assim, o gol não saía. Barreto definiu a atuação espanhola com uma imagem: “A Espanha desidratou a Argentina, esvaziando o jogo do adversário ainda mais do que havia feito contra a França. Mas parece ter tanta vontade de ficar com a bola que sente pena de mandá-la para dentro da rede.” A frase resumiu a contradição de uma final amplamente dominada, mas que chegou ao fim dos 90 minutos sem que a seleção campeã tivesse transformado sua autoridade no placar. A expulsão de Enzo Fernández, já perto da prorrogação, deixou ainda mais íngreme o caminho argentino. “Poucas vezes vimos uma final com tamanho domínio de um time sobre outro. A Argentina não criou uma oportunidade de gol durante o tempo normal e, ainda assim, o placar continuava inalterado”, observou Poli. Restava à equipe de Lionel Scaloni sobreviver até os pênaltis e confiar novamente em Dibu Martínez. A ausência de um centroavante de referência quase custou caro à Espanha. “Fosse uma final de clubes, provavelmente o time resolveria o problema contratando a peso de ouro um camisa 9 de qualquer parte do mundo. Mas o futebol de seleções é feito das fortalezas e das deficiências de cada escola”, avaliou Mansur. Como em outros momentos de sua história, a Espanha dominava o jogo sem encontrar um finalizador à altura de sua produção. Ferran Torres finalmente colocou a bola na rede na prorrogação, quando o gol já parecia “cair de maduro”. Para Mansur, dificilmente uma final apresentou por tanto tempo um placar tão distante do que acontecia em campo. “A bola ficou com a Espanha, o domínio dos espaços permitiu que o jogo fluísse e o desempenho sem posse também foi responsável pelo controle total. A Argentina não saía, não conseguia impor seu jogo e viu Messi se tornar quase um espectador.” Ana Thaís avaliou que a decisão teve um cenário estranho fora das quatro linhas, com o futebol por vezes parecendo apenas parte de um grande espetáculo de cultura pop. Dentro do campo, porém, o título encontrou um dono coerente. “A Argentina jogou em seus limites físicos, errou muitos passes, não conseguiu encontrar Messi e ainda perdeu Enzo Fernández. Fez uma história linda, mas o título é definido com a bola na rede, e Ferran Torres conseguiu colocá-la lá.” A Espanha voltou a ser campeã como em 2010: com um gol na prorrogação depois de passar toda a final insistindo em sua maneira de jogar. “O bicampeonato consagra a crença numa forma de jogar futebol”, concluiu Mansur. Não foi apenas uma vitória sobre a Argentina. Foi a coroação de uma equipe que controlou quase tudo, inclusive a ansiedade de esperar até o fim para fazer o gol que seu futebol exigia.