Trump alega que grupo rebelde do Iêmen ainda não fechou estreito que dá acesso ao Mar Vermelho Ao mesmo tempo em que a situação no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, parecia se complicar nesta terça-feira — reduzindo a perspectiva de que o fim da guerra esteja próximo —, a Casa Branca admitia ao Congresso que o conflito já havia custado ao menos US$ 37,5 bilhões ao contribuinte americano. A estimativa, segundo o secretário de Defesa Pete Hegseth, inclui gastos contratados até 30 setembro. O valor está em linha com algumas avaliações independentes sobre despesas diretas. Mas especialistas afirmam que custos indiretos, como o aumento dos preços dos combustíveis, elevaram o total consideravelmente. Os preços do petróleo subiram mais de 2% ontem, com a cotação do tipo Brent oscilando acima de US$ 91 o barril — e a gasolina americana voltando a ultrapassar os US$ 4 por galão. Hegseth fez a declaração em sessão no Congresso durante a qual foi interrompido por manifestantes que o acusaram de ter “as mãos sujas de sangue” iraniano. Os últimos desdobramentos do conflito, com a abertura de frente envolvendo os houthis do Iêmen, lançaram as tensões a um novo ponto geográfico: o Mar Vermelho. Dois petroleiros sauditas, direcionados à Índia e à China, precisaram dar meia-volta em direção ao Canal de Suez, evitando assim o Estreito de Bab el-Mandeb — que o Irã havia determinado aos houthis que fosse bloqueado. Bab el-Mandeb e Ormuz são duas passagens cruciais ao transporte marítimo no Oriente Médio. Em resposta, as forças americanas bombardearam alvos no sul e oeste do Irã ao longo da noite, enquanto o adversário mirava instalações militares dos EUA no Bahrein, Kuwait e Jordânia. Um petroleiro foi atingido no Estreiro de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. O Irã disse ter atingido infraestrutura pertencente à Amazon. No Bahrein, a empresa americana mantém um data center regional. A Reuters não conseguiu confirmar o ataque ao centro de dados, e a Amazon não comentou de imediato o relato. Os houthis controlam o norte e o oeste do Iêmen, incluindo o litoral na entrada do Mar Vermelho. Na segunda-feira, o grupo anunciou um bloqueio naval à Arábia Saudita. Em carta a empresas de navegação, os houthis ameaçaram atacar todo navio que contenha petróleo saudita. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os houthis ainda não fecharam Bab el-Mandeb. “Ainda não aconteceu, mas pode acontecer. Estamos cuidando das coisas. E se algo assim acontecer, daremos um jeito”, disse. Porém, ao se considerar a ameaça, a ação dos houthis parece já ter produzido efeito com a meia-volta dos petroleiros sauditas que haviam sido carregados no porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Por Bab el-Mandeb, os navios acessam o Oceano Índico, o que encurta a rota para a Ásia. Por Suez, desviam para o Mediterrâneo, alongando o trajeto. “Esses desdobramentos representam a primeira alteração confirmada na rota de um petroleiro em operação comercial após o embargo houthi, e tendem a ampliar a disrupção das exportações sauditas de petróleo e os padrões regionais de navegação”, avaliou a Vanguard, empresa britânica de gestão de risco marítimo. Com a passagem de Ormuz praticamente fechada desde o início da guerra, o Mar Vermelho se tornou a rota alternativa para milhões de barris de petróleo sauditas a cada dia, redirecionados por duto ao porto de Yanbu. O Comando Central dos EUA tem alvejado centros de comando militar do Irã, as capacidades marítimas do país, assim como unidades de lançamento de mísseis e de drones, em ataques noturnos que prosseguem há mais de 10 dias. Explosões foram ouvidas perto da cidade de Shiraz, no sul do Irã, informou a mídia estatal. Também foram atingidas Konarak e Chabahar, na costa sudeste do país, e a cidade de Khorramabad, no oeste do Irã. Nos recentes ataques americanos, segundo uma autoridade do Ministério da Saúde, morreram 50 civis e 500 ficaram feridos. Washington reportou a morte de três militares americanos nos últimos dias na região. EUA e Irã têm testado limites desde a ruptura do cessar-fogo de junho. Os recentes ataques iranianos a usinas de dessalinização despertaram temores em países desérticos que dependem quase inteiramente desse processo para obter água potável. O Kuwait disse que reagiu a um ataque de drones e mísseis, ontem, e reportou danos à geração de energia. Cedendo às ameaças de rebeldes houthis, aliados do Irã, petroleiros sauditas deram meia-volta em Bab el-Mandeb Joseph Aoun (à esq.), presidente do Líbano, em visita a Donald Trump na Casa Branca — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters
Petroleiros sauditas evitam Bab el-Mandeb diante de ameaça houthi; Hegseth fala sobre custo da guerra
Trump alega que grupo rebelde do Iêmen ainda não fechou estreito que dá acesso ao Mar Vermelho














