PUBLICIDADE Presidente afirma que oposição exilada jamais voltará ao poder por meio das urnas, anuncia novas leis contra adversários e recebe críticas da OEA e da Costa Rica 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, acena durante ato pelos 47 anos da Revolução Sandinista, em Manágua — Foto: Cesar Perez/El 19 Digital/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 08:50 Ortega descarta novas eleições na Nicarágua e desafia oposição exilada O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, descartou a realização de novas eleições, afirmando que a oposição exilada não retornará ao poder. Ortega, que governa desde 2007, anunciou novas leis para impedir adversários, gerando críticas da OEA e da Costa Rica. A OEA acusou o governo de abandonar a democracia e a Costa Rica denunciou repressão a dissidentes. Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, governam com controle absoluto, especialmente após a repressão de 2018. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, descartou a realização de novas eleições no país para impedir que a oposição, atualmente no exílio, retorne ao poder. A declaração foi feita no domingo, durante as comemorações do 47º aniversário da Revolução Sandinista, em Manágua, e provocou reação da Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo secretário-geral, Albert Ramdin, afirmou que o país “abandonou” a democracia. — Que se esqueçam. Aqui (na Nicarágua) não haverá mais eleições para que eles tentem tomar o governo e conquistar o poder — declarou Ortega ao se referir aos opositores. O presidente, de 80 anos, está no poder há quase duas décadas. Depois de governar o país na década de 1980, voltou ao cargo em 2007 e, desde então, mantém-se no comando após eleições contestadas ou por meio de medidas que eliminaram seus rivais políticos, governando ao lado da esposa, Rosario Murillo. A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro deste ano, mas uma reforma constitucional aprovada há um ano e meio ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos. Com isso, as eleições passaram a estar previstas para novembro de 2027. Em fevereiro de 2025, outra reforma da Constituição entrou em vigor, eliminando a independência entre os Poderes e concedendo poder total a Ortega e Murillo, cujo cargo foi elevado de vice-presidente para copresidente. Ortega afirmou que seus opositores, praticamente todos vivendo no exílio, continuam tentando se organizar para disputar o poder. Movimentos da oposição exilada têm manifestado esperança de que a pressão internacional consiga promover uma transição política ou eleições livres no país. — Eles vêm conspirando (...) procurando formas de organizar partidos para que, em uma eleição que imaginam que haverá, esses partidos vençam as eleições. Aqui acabou a história de que os partidos colocados pelos ianques (Estados Unidos) voltarão ao governo. Jamais, jamais, jamais — afirmou. O presidente também antecipou que pretende aprovar novas leis para impedir o retorno da oposição ao poder. Segundo ele, o governo trabalhará com a Assembleia Nacional e outras instituições para endurecer a legislação contra seus adversários. — Vamos trabalhar com a Assembleia Nacional e com as organizações correspondentes, porque é preciso fazer leis que ergam um muro, uma barreira contra os golpistas, contra os vendilhões da pátria, para que, por mais dinheiro que os ianques lhes deem, eles não consigam chegar ao poder — disse. A reação mais dura veio do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin. Em publicação no X, ele afirmou que as declarações de Ortega apenas tornaram explícito um processo que já vinha sendo observado. “O regime nicaraguense tornou agora explícito aquilo que suas ações já vinham demonstrando há muito tempo: abandonou a democracia, inclusive a aparência dela. Essa posição constitui a negação definitiva do direito soberano do povo de escolher seu governo”, escreveu. As declarações de Ortega também foram criticadas pelo governo de direita da Costa Rica, que afirmou, em comunicado, haver um “fechamento sistemático dos espaços cívicos e a perseguição contra as vozes dissidentes” na Nicarágua. Em resposta, o governo de Ortega rejeitou a manifestação e declarou que a Nicarágua “não é uma província” do país vizinho. Ortega e Murillo governam a Nicarágua com poder absoluto e forte controle sobre a sociedade, especialmente desde a repressão aos protestos de 2018, que deixou mais de 300 mortos, segundo a ONU. Após as manifestações, opositores foram presos ou forçados ao exílio e perderam a nacionalidade e seus bens, assim como jornalistas, intelectuais e religiosos críticos ao governo. Milhares de nicaraguenses vivem refugiados na Costa Rica, na Espanha e nos Estados Unidos. Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, em Manágua — Foto: AFP O mandatário nicaraguense estava havia dois meses sem aparecer em público. No ato de domingo, chegou dirigindo um carro. Nos últimos meses, havia sido visto em eventos oficiais com dificuldade para caminhar. Opositores afirmam que Rosario Murillo conduz uma purga interna nas instituições do Estado diante da possibilidade de morte de Ortega, que sofre de lúpus e insuficiência renal. O casal acusa a oposição de “traição à pátria” e de tentar promover um golpe de Estado, como durante os protestos em massa de 2018. Também acusa organismos internacionais, que responsabilizam o governo por graves violações de direitos humanos, de serem “intervencionistas” e “mentirosos”. Ex-guerrilheiro da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), Ortega participou da derrubada, em julho de 1979, da ditadura de 42 anos da família Somoza.
Ortega descarta novas eleições na Nicarágua, e OEA diz que país abandonou a democracia
Presidente afirma que oposição exilada jamais voltará ao poder por meio das urnas, anuncia novas leis contra adversários e recebe críticas da OEA e da Costa Rica











