Na prática, o movimento elimina a possibilidade de uma disputa eleitoral em 2027 e formaliza o regime ditatorial no país. Ortega, que governa a Nicarágua desde 2007 e tem controle sobre o parlamento, declarou o fim das eleições no último fim de semana, durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista, da qual ele fez parte. O mandatário disse na ocasião que pretende aprovar novas leis para criar um "muro" contra a oposição. 🔍 A Revolução Sandinista derrubou a ditadura de Anastasio Somoza, na Nicarágua, em 19 de julho de 1979. Liderada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), a revolução pôs fim a mais de quatro décadas de domínio da família Somoza. Daniel Ortega, um dos líderes do movimento, integrou o governo revolucionário, foi eleito presidente em 1984, deixou o poder em 1990 e voltou ao cargo em 2007, onde permanece até hoje. O anúncio do Congresso O documento divulgado nesta quarta pelo Congresso da Nicarágua afirma que iniciou as análises necessárias para elaborar um plano de trabalho, atendendo às ordens de Ortega. O documento diz que "a partir das declarações do chefe de Estado sobre os processos políticos próprios da Nicarágua e dos nicaraguenses, para garantir a paz, a segurança, a estabilidade e a continuidade dos avanços no combate à pobreza, estão se iniciando as análises necessárias para elaborar um plano de trabalho”. Segundo Porras, a Assembleia Nacional vai realizar reuniões com o Conselho Supremo Eleitoral (equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE do Brasil) para assegurar “as etapas constitucionais, legais e formais” da reforma do sistema político. O documento não diz o que deve acontecer com os representantes do Legislativo nem com seus mandatos. LEIA TAMBÉM: Ditadura familiar escancarada O governo de Ortega já vinha sendo acusado de enfraquecer a democracia após reprimir protestos, prender opositores e forçar o exílio de centenas de milhares de nicaraguenses. A última eleição no país, em 2021, foi amplamente contestada pela oposição e por observadores internacionais devido às denúncias de fraude e de aprisionamento de concorrentes. Ortega e sua esposa controlam praticamente todos os aspectos do governo, incluindo as Forças Armadas e o Judiciário. A decisão de acabar com as eleições gerou reação e repúdio em exilados e na comunidade internacional. Nesta quarta (22), o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu que o governo restabeleça o Estado de Direito e garanta eleições livres. Foto de arquivo: Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e a sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, em 5 de setembro de 2018. — Foto: AP Photo/Alfredo Zuniga
Congresso da Nicarágua inicia plano para acabar com eleições | G1
No poder há quase 20 anos, Daniel Ortega anunciou o fim do processo eleitoral no país na última terça-feria













