Três dias após Daniel Ortega afirmar que "não haverá mais eleições" na Nicarágua, a Assembleia Nacional, dominada por apoiadores do ditador, afirmou que "está iniciando as análises necessárias para desenvolver um plano de trabalho que esteja em conformidade com as orientações presidenciais".

No domingo (19), durante uma cerimônia de celebração da Revolução Sandinista, Ortega afirmou que não haverá mais pleitos no país para os "partidos políticos criados pelos ianques" ganharem. "Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder", disse.

A iniciativa dos deputados era esperada —a separação de Poderes no país, regido por Ortega há quase 20 anos, é praticamente de fachada, e medidas como essas normalmente são antecipadas pelo líder em seus discursos e prontamente atendidas pelo Legislativo.

Em 2014, por exemplo, a Assembleia Nacional nicaraguense aprovou uma reforma constitucional que autorizou a reeleição por tempo indefinido no país —algo que, na prática, já havia sido liberado pela Suprema Corte, também aparelhada por Ortega.

Mais recentemente, em 2025, outra reforma da Constituição deu à sua mulher e vice, Rosario Murillo, o cargo de copresidente, no que provavelmente é uma estratégia para manter a família de Ortega no poder diante da fragilidade da saúde do líder de 80 anos.