Ortega, que está no poder desde 2007, afirmou que a medida fechará qualquer caminho para que a oposição volte ao poder Daniel Ortega e sua mulher, Rosa Murillo — Foto: Esteban Felix / Associated Press O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não realizará mais eleições, eliminando a possibilidade de uma disputa eleitoral quando seu mandato terminar no próximo ano e consolidando ainda mais o governo que ele divide com a esposa. Ortega, que está no poder ininterruptamente desde 2007 após um mandato presidencial anterior na década de 1980, disse que a medida fechará qualquer caminho para a oposição, embora não tenha fornecido detalhes sobre como ela será implementada. “Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”, disse Ortega em um discurso na noite de domingo para comemorar a revolução sandinista de 1979, na qual Ortega ajudou a derrubar a brutal ditadura de Anastasio Somoza. “Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram. Nunca mais”, acrescentou ele, na primeira aparição pública em dois meses. A última eleição na Nicarágua, em 2021, foi amplamente contestada depois que Ortega deteve opositores e líderes empresariais e criminalizou a dissidência. No ano passado, Ortega consolidou ainda mais o poder por meio de uma série de reformas constitucionais que incluíram a nomeação daesposa, Rosario Murillo, como “copresidente” e a extensão do mandato presidencial para seis anos. Os dois controlam praticamente todos os aspectos do governo, incluindo as Forças Armadas e o Poder Judiciário. O governo de Ortega e Murillo foi acusado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU de transformar o país “em um Estado autoritário” e de violar sistematicamente os direitos humanos. A Nicarágua vive uma grave crise política desde abril de 2018, quando Ortega respondeu aos protestos antigovernamentais com uma repressão na qual mais de 300 pessoas foram mortas. 20/07/2026 13:59:51