Atual presidente também pretende ampliar mandato presidencial de seis para sete anos, com possibilidade de renovação, segundo um projeto de reforma constitucional enviado ao Congresso Policías nicaragüenses tiraram uma foto com o presidente Daniel Ortega em Masaya, Nicarágua, em 13 de julho de 2018 — Foto: AP/Cristobal Venegas O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, quer impedir que "traidores" e integrantes da oposição acusados de "conspirar por um golpe de Estado" disputem eleições, além de ampliar o mandato presidencial de seis para sete anos, com possibilidade de renovação, segundo um projeto de reforma constitucional enviado ao Congresso na noite de terça-feira. O presidente do Congresso, Gustavo Porras, antecipou o conteúdo da proposta na terça-feira, segundo diversos veículos de comunicação, embora tenha divulgado poucos detalhes. A expectativa é que a reforma seja aprovada em setembro. A proposta ocorre após declarações recentes de Ortega de que não haverá eleições no país centro-americano para impedir que a oposição "tome o governo". "Nosso sistema de governo, sob a presidência do povo, propõe organizar-se com um mandato efetivo de sete anos, renovável", disse Porras ao ler o texto da proposta. Uma reforma constitucional aprovada em 2024 ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos e elevou Rosario Murillo, mulher de Ortega e então vice-presidente, ao cargo de copresidente — medida criticada por opositores como uma tentativa de manter a família presidencial no poder por tempo indeterminado. A reforma também adiou as eleições previstas para o fim de 2027. Ex-guerrilheiro marxista, Ortega iniciou seu quarto mandato consecutivo em janeiro de 2022, após vencer a eleição realizada em novembro do ano anterior, em meio ao aumento das críticas e sanções impostas por grande parte da comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Ortega ajudou a derrubar a ditadura de direita da família Somoza no fim da década de 1970 e, desde que voltou ao poder, em 2007, tornou-se o governante há mais tempo no cargo nas Américas. A Nicarágua vive uma crise política desde abril de 2018, quando Ortega reprimiu protestos contra seu governo. Segundo organizações de direitos humanos, mais de 300 pessoas morreram na repressão.