Trump há de aprontar alguma nas eleições de meio de mandato. O que ele fará ninguém sabe, mas os sinais estão aí. A aprovação do presidente nunca esteve tão baixa. A chance de perder a maioria em ao menos uma casa do Congresso é real, o que deixaria seu governo enfraquecido. Sabemos como Trump lida com derrotas. Com essa não deve ser diferente.

Na quinta passada, ele deu um discurso em rede nacional em que afirma que as eleições americanas são inseguras e passíveis de fraude, inclusive por inimigos externos como a China. Tudo, é claro, em conluio com o "Estado profundo", os servidores públicos que conspiram contra seu governo.

Quando olhamos para os atos de seu mandato, contudo, a segurança das eleições não figura como uma prioridade. Muito pelo contrário: ele já cortou cerca de um terço dos funcionários da Agência de Cibersegurança e Segurança da Infraestrutura, que —entre outras atribuições— ajuda os estados a garantir a segurança nas eleições. Além disso, desmantelou o painel bipartidário da Comissão de Assistência às Eleições, que também presta assistência logística e de segurança nas eleições aos estados. Tudo indica que teremos eleições mais inseguras, e portanto mais passíveis de críticas e contestação judicial, exatamente o que favoreceria Trump em caso de derrota.