O presidente Donald Trump afirmou na rede Truth Social, na terça-feira (23), que a votação no Brasil será seu próximo desafio. E se declarou —quem diria— preocupado com a integridade do sistema eleitoral do país e com a necessidade de que a disputa seja livre e justa. Para ele, assim será se o Brasil vier a "se juntar à crescente lista de nações que se movem à direita".
Não poderia ser mais explícito: joga a favor do candidato direitista. Como, por enquanto não se sabe. Mas desde já o mandatário americano se alinha à tática da família Bolsonaro de disparar suspeitas sobre o nosso sistema de votação e sobre as regras que asseguram condições necessárias à livre competição nas urnas.
A declaração extemporânea dá mais um passo na direção de colocar as relações entre Brasil e EUA como um dos temas importantes do debate eleitoral. Bem diferente do que ocorria no passado, quando a política externa não fazia parte do rol de questões relevantes para a definição da imagem dos candidatos presidenciais, muito menos para a escolha dos votantes.
Se assim for, vale a pena olhar como potenciais eleitores encaram a ingerência ianque em assuntos nacionais. Também na terça, este jornal publicou a pesquisa Datafolha sobre a decisão da Casa Branca de incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras que ameaçariam a segurança nacional dos EUA. O ato unilateral abre caminho à interferência direta de Washington em nossos assuntos domésticos.











