Faltam pouco menos de cem dias para as eleições de meio mandato nos Estados Unidos. Um evento capaz de mudar o curso político do país caso os republicanos percam a maioria no Congresso, além de conter os impulsos autoritários de Donald Trump. Ou, ao contrário, reforçar todo o ecossistema de poder erguido em torno do presidente incumbente. A sorte está lançada.

Curioso notar como a imprensa americana vem cobrando a presença do campo democrata nos últimos dias. Com o fim da Copa do Mundo, Trump liberou o ego temporariamente enjaulado. Tarifou países, ameaçou o Irã, recebeu Netanyahu e Zelenski, voltou a falar em fraude eleitoral. Não parou por aí: no jantar reagendado com correspondentes, dias atrás, usou um boné com a inscrição "Trump 2028".

Não cabe incredulidade: o presidente tem planos para o futuro. Ainda que se tenha formado um hub de forças pró-democracia para proteger as eleições de 3 de novembro, ele não jogará a toalha.

Cenários estão sendo desenhados: o FBI pode vir a apreender materiais e equipamentos no dia da votação. Tropas federais podem se deslocar pelo país, intimidando o eleitorado. Pode ser decretada emergência nacional. Talvez Trump venha a estar muito ocupado para intervir na eleição presidencial brasileira, cujo segundo turno acontecerá uma semana antes. A ver.