Em entrevista a um podcast do New York Times, Jamieson Greer disse não se arrepender da estratégia do governo, mesmo após a derrubada de tarifas pela Suprema Corte 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jamieson Greer, chefe do Escritório de Comércio dos EUA — Foto: Aaron Schwartz/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/07/2026 - 20:56 Greer defende protecionismo de Trump e novas tarifas sobre importações O chefe comercial do governo Trump, Jamieson Greer, defendeu o protecionismo e anunciou novas tarifas sobre importações de vários países, visando reduzir o déficit comercial e reindustrializar os EUA. Greer argumentou que a política tarifária, implementada rapidamente por Trump, visa enfrentar práticas comerciais desleais, destacando ações contra o Canadá e Brasil. Apesar de críticas sobre o impacto inflacionário, Greer considera a estratégia um sucesso, afirmando que ela fortalece a produção e salários americanos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governo do presidente Donald Trump prepara uma nova rodada de tarifas de importação contra produtos de vários países, afirmou o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em entrevista ao podcast The Daily, do jornal The New York Times, veiculada hoje. Evitando comentar casos específicos de países como o Brasil — que na semana passada foi alvo de um novo tarifaço de 25% —, Greer defendeu o protecionismo como uma questão de "emergência" nos EUA, como forma de reduzir o déficit comercial do país e recuperar sua industrialização, elevando os salários dos americanos. Segundo ele, todas as decisões nessa área comercial são tomadas diretamente por Trump, que tem pedido celeridade na gestão tarifária: — Era muito importante para o presidente, e nós entendíamos isso, agir com muita rapidez. Porque, na nossa avaliação, tratava-se de uma emergência. Ele defendeu a política de tarifas contra vários países, incluindo aliados, desencadeada por Trump sob sua formulação no início do segundo mandato do republicano e disse não ter se arrependido nem mesmo das tarifas que foram mais tarde derrubadas pela Suprema Corte. Para ele, a Corte errou. — Sempre que você tenta mudar uma política de forma significativa e contraria interesses especiais ou empresariais, as pessoas reagem e tentam combater essa mudança. Elas querem manter o status quo. Nós não queremos o status quo — afirmou. Segundo Greer, o governo está reconstruindo bases jurídicas para restabelecer parte das sobretaxas derrubadas ou impor outras com base em investigações que apontem práticas lesivas ao comércio americano em outros países. Além da proposta de taxação de 60 países sob a a justificativa de falhas nas legislações de combate ao trabalho forçado, Greer apontou uma segunda frente de tarifas em preparação, que poderá atingir mais de 40 países acusados de práticas como subsídios à indústria e manipulação cambial. Hoje, após a publicação da entrevista, a Casa Branca confirmou que Trump assinou uma ordem que cria tarifas de 50% para parte dos produtos exportados do Canadá para os EUA sob a alegação de que se tratam de retaliação comercial a práticas que prejudicam a competitividade de produtos americanos naquele país. É um argumento similar ao usado contra o Brasil, sobretaxado na semana passada. Sem explicação sobre critérios políticos Apesar de a jornalista Ana Swanson, do New York Times, afirmar ter questionado Greer sobre a imprevisibilidade de decisões tarifárias de Trump baseadas em questões políticas, o chefe comercial do governo americano evitou comentar o caso específico do Brasil e de outros países. Centrou fogo especificamente no caso da China. A apresentadora Natalie Kitroeff lembrou que Trump aplicou sobretaxas à Índia pela compra de petróleo russo e ao Brasil pelo processo que levou à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, no ano passado, elevando a sobretaxa a exportações brasileiras a 50%. Em vez disso, apresentou uma justificativa genérica: repetiu que o governo considerava o déficit comercial americano uma emergência, que precisava agir rapidamente e que as tarifas serviram para enviar ao mercado um sinal de que a produção deveria retornar aos Estados Unidos. Omissão da gestão anterior O chefe comercial dos EUA acusou o governo de Joe Biden de manter políticas protecionistas do primeiro mandato de Trump mas demorar para agir em outras frentes, apesar de considerar que a equipe anterior do USTR deixou bons relatórios com diagnósticos setoriais sobre esse impacto das importações sobre a maior economia do mundo. Segundo Greer, o déficit comercial dos Estados Unidos havia crescido 40% nos cinco anos anteriores ao segundo mandato de Trump e alcançado US$ 1,2 trilhão no fim de 2024. Ele afirmou que a política tarifária de Trump tem funcionado como planejado, como o país tendo obtido concessões maiores que as esperadas de parceiros comerciais sobretaxados em busca de alívio tarifário, como Indonésia e Reino Unido. Apesar das evidências apresentadas pela jornalista de que as tarifas não estão ampliando o parque industrial americano e que boa parte dos custos das tarifas foram absorvidos por empresas e consumidores americanos, alimentando a inflação no país, Greer repetiu que vê a política comercial como bem-sucedida até agora: — No fim das contas, estamos vencendo ao mudar a política comercial. Estamos conseguindo reduzir o déficit comercial. Estamos avançando na volta da produção para os Estados Unidos. Estamos avançando nos salários. Estamos vencendo em todas essas frentes. Por isso, estou satisfeito com a situação atual e com o rumo que estamos tomando. Atuação como advogado Na entrevista, Greer repassou a sua infância na Califórnia e sua experiência como advogado da área tributária nos EUA defendendo os interesses de empresas americanas prejudicadas por importações, como siderúrgicas que não conseguiam competir com o aço subsidiado da China. Ele apontou a estratégia comercial do país asiático como das principais ameaças à economia americana, que precisa de uma resposta emergencial dos EUA: — Fica muito difícil para os trabalhadores americanos e para as empresas que os empregam competir com uma siderúrgica chinesa ou vietnamita que não precisa dar lucro. Ou que, se tiver prejuízo, receberá um subsídio de seu governo — afirmou. Ele lembrou que, como advogado, conseguiu na Justiça a imposição de tarifas contra vários produtos chineses apresentando os danos econômicos a determinados setores e até mesmo a pequenos negócios. E voltou a se referir à necessidade de combater importações chinesas para conter a perda de empregos industriais para aquele país: — Se os Estados Unidos não desenvolverem e implementarem suas próprias políticas para proteger sua indústria e seus trabalhadores, acabaremos apenas seguindo as políticas dos outros. Portanto, se não formos formuladores de políticas, acabaremos sendo submetidos às políticas alheias. E a China é muito forte na formulação de políticas. A cada cinco anos, ela publica um plano quinquenal.